Ceclin
dez 27, 2015 0 Comentário


Município de Escada se prepara para receber dez fábricas

Terraplanagem da área que vai receber as plantas da Unilever estão em fase final

Terraplanagem da área que vai receber as plantas da Unilever estão em fase final

Somente as plantas da Unilever, Alphatec e Red Star vão empregar cerca de 1 mil pessoas

Folha de Pernambuco

Às margens da rodovia BR-101, a terraplanagem da área que receberá as novas plantas da Unilever no município de Escada, na Mata Sul, já está nos instantes finais. O secretário de Desenvolvimento Econômico local, José Alves, ex-prefeito de três mandatos, aponta para o terreno que receberá a produção de alimentos, de materiais de limpeza e o Centro de Distribuição (CD) da multinacional. Alves conta que, em reunião com a Agência de Desenvolvimento de Pernambuco (AD Diper), na última semana, foi em busca de mais celeridade para o início das obras das outras duas grandes empresas que escolheram Escada como sede. A Alphatec, de torres eólicas, que já “namora” o município há cinco anos; e a Red Star, portuguesa fabricante de tintas e vernizes, que deve finalmente começar as obras civis em 4 de janeiro próximo. Com outras representantes, elas preencherão dois distritos industriais no município.

Agora alicerçados pelas plantas da Unilever, os distritos naquela área da Zona da Mata Sul têm a missão de recuperar a vida econômica do município que perdeu 80% de seus empregados formais, saídos das atividades no Complexo de Suape, e R$ 9,5 milhões em arrecadação, de janeiro a novembro, incluindo repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). A Alphatec veio com o intuito de ser fornecedora do setor metalmecânico para a Refinaria Abreu e Lima e para os estaleiros em Suape, mas os rumos dos empreendimentos mudaram também a visão da empresa. “Vamos ver se eles, agora, começam as obras civis”, diz Alves, diante da área já terraplanada e coberta de mato no distrito industrial municipal. Os novos empreendimentos devem empregar em torno de 1 mil pessoas diretamente em Escada. São diversos os setores das fábricas e obras de futuras fábricas: portas (Kitportas), piscinas de fibra, colchões, pré-moldados (Lina Construção), telhas de PVC (Eplast), conexões (Tigre), polpas de frutas e doces.

O fato é que os distritos de Escada são mistos, como se vê, mas há uma predileção pelo setor agroindustrial. “Alimentos”, simplifica o secretário. O objetivo é inserir os cerca de 600 produtores locais nesses negócios maiores. Além da área de 73,6 hectares que será ocupada pela Unilever, os 120 e poucos hectares do distrito devem abrigar indústrias fornecedoras da multinacional. Alves faz mistério. “Não vai ficar só ela (na Unilever), serão várias empresas, mas ainda não temos informações precisas. A Unilever trabalha muito com a confidencialidade”, tergiversa. As futuras plantas reforçarão as que já estão em atividade para inclusão de 600 produtores rurais no fornecimento de insumos. “O gerente de Suprimentos está vindo em janeiro e veremos como trabalhar essa parceria”. A iniciativa do município inclui o Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), com a Secretaria de Agricultura Familiar do município e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

Política de isenção fiscal prevaleceu

Para se instalar em Escada, a Unilever recebeu doação do terreno, desapropriado pelo Estado, e isenção total do Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU) por cinco anos (prorrogáveis por mais cinco) e redução da alíquota do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS) de 5% para 2%. Sobre essa renúncia fiscal, o secretário de Desenvolvimento Econômico do município, José Alves, diz que haverá compensação, com a geração de emprego e renda. “Não sei dizer de quanto é esse IPTU. É 1% do valor do imóvel, então depende do volume da obra”, disse. A área era rural passou a ser de expansão industrial, por isso a prefeitura de Escada também deixa de arrecadar o Imposto Territorial Rural (ITR).

Há cerca de dois anos, Escada perdeu a fábrica da Soprano, que trocou Pernambuco pelo Mato Grosso do Sul, “que ofereceu melhores condições”, segundo o secretário. “A Soprano foi âncora do nosso distrito industrial, e ficou lá o espaço, que a prefeitura cedeu para a Eplast, que é uma fábrica de telhas de PVC, e para a Tigre”, detalha. O investimento da Unilever, como anunciado na assinatura do protocolo de intenção, é de R$ 600 milhões. A empresa também é contemplada pelo Programa de Desenvolvimento de Pernambuco (Prodepe), com isenção do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) presumido de 85%.

PLANO DIRETOR

Segundo José Alves, está pronto e em funcionamento o novo plano diretor de Escada, feito pelo município em parceria com o Governo do Estado. “Com o estudo temos os instrumentos necessários para organização urbana e também para organização industrial e agrícola. A área de controle urbano tem instalações físicas e capacitação de servidores e houve contratação de engenheiros para que com o plano diretor, a gente pudesse realizar o melhoramento da qualidade de vida dos munícipes”. Alves destacou também a criação de um grupo de trabalho com foco no desenvolvimento econômico da cidade.