• Ceclin
abr 20, 2009 1 Comentário


MST ocupa mais cinco áreas em Pernambuco

Publicado em 20.04.2009

Invasões ocorreram da noite de sexta até ontem em Amaraji, Ipubi, Itambé, Passira e Petrolina. A jornada de lutas relembra o massacre de 19 sem-terra em Eldorado dos Carajás, no Pará, em 2001

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocupou cinco novas áreas durante o fim de semana. Pelo menos 80 famílias invadiram ontem o Engenho Paraguaçu, no município de Itambé, na Zona da Mata do Estado. No sábado, foram ocupadas a Fazenda dos Altinhos, em Petrolina, e a Fazenda Santo Antônio, Amaraji, na Zona da Mata. Na sexta-feira à noite, famílias chegaram à Fazenda Cedro, em Ibupi, no Sertão, e ao Engenho Retalho, no município de Passira, no Agreste.
As ocupações fazem parte da Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária, iniciada no dia 12 deste mês. A jornada relembra o Massacre de Eldorado dos Carajás, quando 19 trabalhadores foram mortos em um conflito com a polícia, no Estado do Pará, no Norte do País, em 17 de abril de 1996. Desde o início do ciclo de invasões até ontem, 11 latifúndios haviam sido invadidos por 1.550 famílias em Pernambuco.
Para o movimento, as ocupações são o principal meio de pressionar os governos a agilizarem a reforma agrária. “Ocupamos para exigir a desapropriação dessas áreas que não cumprem suas funções sociais, desrespeitam leis trabalhistas ou são improdutivas”, disse Jaime Amorim, um dos coordenadores do MST em Pernambuco. Segundo ele, a partir dos próximos dias o ritmo de invasões deve diminuir. “Estaremos concentrados na organização dos acampamentos e nos pedidos de desapropriação das terras ocupadas”, afirmou.
Os trabalhadores reclamam da lentidão do poder público em assentar as famílias. Dados do MST dão conta que das mais de 18 mil famílias assentadas pelo governo federal no ano passado, 88% correspondiam a regularizações de assentamentos antigos e apenas 2.366 eram novas famílias.
Em Pernambuco, ainda de acordo com Jaime Amorim, existem atualmente 163 acampamentos de trabalhadores sem-terra, com um total de 16 mil famílias. No entanto, o movimento não tem a estimativa de quantos latifúndios apropriados para reforma agrária existem no Estado.
(Jornal do Commercio).

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