Ceclin
jun 06, 2009 8 Comentários


Monte das Tabocas no dia do meio ambiente

O Monte das Tabocas é uma área de aproximadamente 11 hectares, localizada no Município da Vitória de Santo Antão, Pernambuco, que em 3 de agosto de 1645 foi palco de célebre batalha entre os luso-brasileiros e os holandeses. Os primeiros, liderados por Antônio Dias Cardoso e João Fernandes Vieira, entrincheirados nas partes altas e protegidos pelos tabocais derrotaram os flamengos.

Cumprindo a promessa feita por Fernandes Vieira, foi inaugurada no dia 3 de agosto de 1945, dia do tricentenário da Batalha das Tabocas, a Capela de Nossa Senhora de Nazaré, construída com pedras do local.

Em 9 de novembro de 1978, foi assinada uma escritura de desapropriação de parte da área que circunda o espigão principal. Na época da batalha a vegetação era composta por imensos bambuzais, sinônimo de tabocais, daí o seu nome. Outra riqueza no local era o pau-brasil.
Em
11 de março de 1986 o governo estadual homologou o tombamento do Sítio Histórico.

Em 5 de junho de 2009, dia internacional do meio ambiente, começa outra batalha no Monte Histórico, não com soldados e artilharias liderado por Capitães ou Coronéis, mas com crianças lideradas pela Bióloga Viviane Lima, tendo no seu principal arsenal mudas de árvores nativas que em tempos não muito distantes reinavam absoluta na região.

Após reunir a legião mirim em campo adequado, a bióloga Viviane contou com apoio do Sr. Roberto Silva Secretário de Meio Ambiente da Prefeitura da Vitória, do também biólogo Clovis Figueiredo, Ana Lizia – veterinária, Cleiciana Souza estagiária em biologia além da professora Wilma que acompanhou as crianças da Escola Municipal Batalha das Tabocas.

Reunidas a sombra das centenárias árvores do monte as crianças receberam informações sobre o meio ambiente e o trabalho que os biólogos pretendem realizar no local para impedir a degradação e recuperar o que foi perdido.
Durante a aula ao ar livre foi observado que era muito raro escutar canto de pássaros no local, segundo Clovis Figueiredo a ausência de pássaros se dá por conta do desmatamento sem limites que está ocorrendo no ambiente, forçando assim as aves a procurar comida em outros lugares.

Isso explica o aparecimento de muitos animais selvagens na cidade por não ter alimentação natural acabam invadindo as casas vizinhas as matas, citaram.

Viviane Lima também explicou para as crianças importância que todos os animais tem para o ecossistema de um besouro a um abutre todos contribuem para o equilíbrio da natureza, natureza essa que está sendo devastada por iniciativas ilegais que depredam e agridem de forma tão intensa que às vezes são precisos dezenas de anos para uma recuperação.

Após a aula o Secretário de Meio Ambiente da Vitória de Santo Antão, Roberto Silva, deu início a segunda parte da atividade que foi plantar 50 mudas de árvores nativas da região que foram preparadas anteriormente pela Secretaria de Agricultura da Vitória e ainda restando mais 200 mudas de tabocas que serão plantadas posteriormente.

Com muita alegria e entusiasmo as crianças pegaram as mudas e partiram para o plantio como se estivessem fazendo uma operação de salvamento o que realmente foi verdade.
Sempre acompanhada pelos técnicos e professores os pequenos soldados da natureza corriam de um lado para o outro procurando um local ideal para o plantio, foi algumas horas de alegria e comunhão com a energia positiva que o local e as crianças transmitiam fazendo de uma maneira divertida o ato tão sério que foi devolver ao local a vida que antes era abundante e que estava sendo ceifada pelas mãos do próprio homem.
Enquanto percorríamos o local encontramos muito lixo jogado na mata dando um contraste degradante a paisagem do local, mais à frente vimos duas carcaças de automóveis no local, uma recente, jogada lá a menos de 24 horas completamente incendiada a outra já havia mais tempo no local. Outra observação foi a invasão de pessoas que tem propriedades na região e estão reposicionando suas cercas para dentro da área do Monte invadindo assim ilegalmente o berço da história da nossa Nação.
Fomos informados por moradores da região que é uma constante a invasão de pessoas para retirar madeira ilegalmente do local e que sempre é possível notar a presença de gente durante à noite consumindo drogas, fazendo sexo e trazendo carros e motos roubadas para desmontar. Quanto ao lixo acumulado também fomos informados que a Prefeitura não faz coletas no local e que o pessoal dalí só conta com a boa intenção dos vizinhos que uma vez ou outra utilizam seus próprios veículos para transportar o lixo do local e que gostariam que a Prefeitura viesse ao menos uma vez por semana realizar a coleta.

A bióloga Viviane também manifestou a vontade de implantar um sistema de coleta seletiva de lixo, instalando recipientes adequados no pátio da escola, incentivando assim aos alunos a mais um ato de cidadania.
Ao final de nossa missão que foi bem sucedida saímos dalí com a certeza que aqueles meninos e meninas que estudam no Colégio Municipal Batalha das Tabocas começaram a escrever uma parte nova da história daquele local, não de uma batalha militar, mas uma verdadeira guerra de cidadania que não vai permitir que um marco histórico de nosso Município acabe em ruínas.

A responsabilidade de cuidar de um património histórico não é só das autoridades, com ou sem a ajuda deles deveremos preservar e fazer nossa parte para as gerações vindouras terem o que ver pessoalmente e não apenas em livros ou arquivos de computadores.

Por Orlando Leite.