Ceclin
ago 02, 2009 1 Comentário


Monte das Tabocas: célula mãe da Nação Brasileira

Apresentado por Lissandro Nascimento a Mesa Redonda do Programa A VOZ DA VITÓRIA, realizado na sexta-feira (31) pela Rádio Tabocas FM (98,5) no início da tarde tratou como tema: “Os 364 anos da Batalha do Monte das Tabocas”.
O Monte das Tabocas, onde, no dia 3 de agosto de 1645 os luso-brasileiros liderados por Antônio Dias Cardoso e João Fernandes Vieira, entrincheirados nas partes altas do terreno e protegidos pelos tabocais, derrotaram os holandeses.

Debatido com a participação de Pedro Ferrer – Diretor de Cultura da Prefeitura da Vitória de Santo Antão e do Professor de História – Marcos Vinicius.
Após a apresentação de um áudio elaborado pela FACOL e Instituto Histórico e Geográfico da Vitória foi dado início aos debates da tão importante data.

Segundo os debatedores com a chegada dos portugueses ao Brasil em 1500 houve um período pré colonização, devido à falta de recursos e com o comércio das Índias em plena atividade, a colonização só teve início a partir de 1531.
Sendo o açúcar o primeiro produto de exportação do Brasil o ciclo da cana de açúcar também despertou os interesses dos holandeses que junto com Portugal, investiram no Brasil. A partir daí foi feita a aliança econômica, pelo qual Duarte Coelho foi o primeiro capitão Donatário da Capitania de Pernambuco.

Em 1578 os portugueses ficaram sem descendentes diretos, e o parente mais próximo foi o Rei da Espanha Felipe II. A partir desta união a Espanha passou a dominar Portugal.

Com a proibição do comércio entre Portugal e Holanda pelo Rei da Espanha, houve um grande acirramento entre os dois países.
Tentando se recuperar, os holandeses invadiram a Bahia e somente cinco anos depois conseguiram invadir a Capitania de Pernambuco que era a maior produtora de açúcar do mundo, foi a única alternativa que os holandeses tiveram para continuar a exportar o produto brasileiro, pois Pernambuco se encontrava próximo a África de onde vinha a mão de obra escrava para o canavial e a proximidade do continente europeu.
Com a Capitania de Pernambuco tomada, Maurício de Nassau governou de 1637 a 1644.

Após a saída de Mauricio de Nassau em 1645 teve início a revolta que culminou com a Batalha do Monte das Tabocas.
“Essa revolta não houve antes porque Mauricio de Nassau tinha um governo tolerante e economicamente participativo, o povo tinha liberdade religiosa e empréstimos para custear a produção de açúcar”.
Com a saída de Mauricio de Nassau começou a opressão holandesa aos cultos religiosos e aos senhores de Engenho que tiveram suas propriedades tomadas para quitação das dívidas.

Inconformado com a situação, Fernandes Vieira, senhor de Engenho, através de seus próprios recursos uniu Índios, negros e portugueses para combater os holandeses dando início assim a Batalha das Tabocas.
Com táticas de guerrilha e tendo ao seu favor a densa vegetação do Monte, os revoltados lançavam ataques rápidos e com poucos combatentes pegando sempre os holandeses de surpresa, que desnorteados por ataques vindo de várias direções, bateram em retirada deixando para trás seus combatentes mortos.

Por telefone o Secretário de Cultura, Turismo e Esportes Paulo Roberto, destacou a importância histórica da Batalha frisando que foi em Vitória de Santo Antão que pela união de negros, índios e brancos nasceu o sentimento nativista, surgindo assim os primeiros sentimentos de nação.

“Esses bravos pernambucanos e lusos brasileiros que enfrentaram os holandeses aqui no Monte das Tabocas fizeram com que Portugal tivesse novamente o interesse nas terras do Brasil, pois sentiram que aquela era a hora exata de expulsar os holandeses”, destacou.
Segundo Paulo Roberto cabe aos vitorienses, autoridades constituídas e até o Exército Brasileiro reconhecerem que foi aqui em vitoria de Santo Antão, mais precisamente no Monte das Tabocas, que surgiu a célula mãe da nação brasileira, pontuou.

Finalizando o debate o apresentador indagou aos participantes se caso os holandeses tivessem sido vitoriosos na Batalha como estaria hoje a situação.
Tanto o professor Pedro Ferrer quanto Marcos Vinicius foram categóricos em afirmar que o Brasil não estaria em melhor situação, pois todos os países que sofreram interferências de colonizadores holandeses estão em situação cultural e econômica inferior ao Brasil.

Ao se despedir Pedro Ferrer leu uma frase do antropologista do Rio Grande do Norte, Luiz da Câmara Cascudo:

“Tabocas anunciada nos longínquos Guararapes, no batismo de sangue valente daqueles que lutaram no Monte das Tabocas”.

Apresentação: Lissandro Nascimento.
Produção: Jáder Siqueira, Orlando Leite e Cláudio Gomes.
Equipe: Felipe França, Genilda Alves.