Ceclin
set 09, 2010 1 Comentário


Memórias do Engenho Galileia

Esta imagem se refere a uma escultura trabalhada pelo renomado artista pernambucano Abelardo da Hora, que cedeu de presente aos líderes das Ligas Camponesas, instalada no terraço central do casarão da família do pai de Zito de Galileia.

Trata-se de uma estátua de 1 metro, que simbolizava a fome do povo nordestino, do migrante, neste caso, de uma mãe e seus filhos famélicos, faltou apenas nesta imagem a figura do pai. Segundo os mais velhos, da Hora esculpiu esta peça devido a um caso ocorrido de uma família inteira ter morrido de fome no Engenho Galileia.

Esta memória está até hoje desaparecida.
Na noite negra de 31 de março para 1º de abril de 1964, o Exército brasileiro executa o Golpe Militar, depondo da presidência da República o seu titular, João Gourlart.
Os soldados do Exército arrancaram e levaram a estátua do sítio de seu Zito, desaparecida até hoje.

Tudo isso em razão do Engenho Galileia, em Vitória de Santo Antão, ter sido palco dos primeiros movimentos organizados pela Reforma Agrária no Brasil. As chamadas Ligas Camponesas. Berço do movimento rural, destacou-se o advogado Francisco Julião, dono da célebre frase: “Na Lei ou na Marra!”.

Resta agora só esta imagem.

Contudo, há um esforço dos artistas vitorienses, a exemplo do talentoso Deusdeth, em refazer esta estátua e devolvê-la a comunidade de Galileia. Reacendo mais um lugar histórico do qual Vitória de Santo Antão se fez protagonista.


por Lissandro Nascimento.