• Ceclin
mai 31, 2010 10 Comentários


Médico alerta sobre práticas viciadas em serviço de alguns profissionais do João Murilo

Bione afirma que não há estrutura para partos cezários no Hospital Regional João Murilo

O Médico Edvaldo Bione – que é pré-candidato a Deputado Estadual pelo PHS esteve no Programa A VOZ DA VITÓRIA transmitido pela Rádio Tabocas FM (98,5), em Vitória de Santo Antão, transmitido de segunda a sexta das 06 às 08h da manhã, marcando sua coluna semanal na sexta-feira (28), aproveitou para focar o excesso de cesarianas realizadas em Vitória, bem como o descaso do atendimento ao público no Hospital Regional João Murilo de Oliveira.

Preocupado em estabelecer maiores investimentos na Policlínica Regional, ele lembrou que há dois meses havia afirmado neste Programa que o melhor médico do Hospital João Murilo seria a ambulância.
“Isso ocorre porque há desinteresse de atendimento no Hospital João Murilo. Dos partos que foram realizados em Vitória só foi feito aproximadamente 40 no ano passado. Somando em 10 mil partos, na realidade foram mais de 11 mil. Até novembro foram realizados 10.447 partos em Vitória de Santo Antão entre cesarianas e partos normais”, pontuou Bione.

O Médico afirmou que fica apreensivo com a alta quantidade de cezarianas que são realizadas e ensinou que estes dados podem ser comprovados e facilmente encontrados na internet no site da saúde.
“O que me deixa estarrecido é onde foram realizados esses 11 mil partos, e na maioria cesarianas, com o pagamento realizado pela Secretaria de Saúde do Estado de Pernambuco,” destacou.

Completando: “A minha preocupação real hoje é com a quantidade de partos cesarianos e com o tempo em que as pacientes ficam no hospital. Existe uma quantidade de leitos oferecidos e esses leitos são insuficientes para a quantidade de partos realizados”, lamentou.

“O que a gente encontra é que muitas vezes uma paciente faz uma cesariana e sai do hospital 12 horas depois da realização do parto. As complicações são muito grandes e ocorrem com muita freqüência. Para se ter uma ideia, no ano passado em gestantes vindas do Recife foram feitos 43 partos normais e 432 cesarianas, já o João Murilo só participou com aproximadamente 04 partos”, estranhou.

Ele citou o fato de que a unidade hospitalar tem uma estrutura deficiente para funcionamento com dois obstetras por plantão, os quais não realizam os partos que estão sendo feitos nos hospitais credenciados pelo SUS. Ele mencionou que apenas o Centro Hospitalar Santa Maria não realiza procedências obstétricas pelo SUS.
“Para você ver que em três hospitais de Vitória foram realizados 11 mil partos entre cesarianas e normais. Esse número é maior que a população de muitos municípios do Estado de Pernambuco. Aqui nasceram mais pessoas do que a população de mais de 100 cidades do Estado de Pernambuco”, comparou.
Fazendo uma outra comparação com Caruaru que é uma cidade grande, Vitória de Santo Antão realiza mais partos do que lá. Defendendo que isso precisa mudar, deixando uma indagação no ar: “A pergunta que fica no ar é a seguinte: como é que a Secretaria de Saúde fica sabendo disso e não toma nenhuma providência?”, questionou Edvaldo Bione.

Os partos terminam sendo encaminhados para os Hospitais APAMI, Pronto Socorro e Hospital Geral, todos conveniados ao SUS para procedimentos obstetricios.
“O que deveria acontecer é o primeiro contato com a paciente ser feito no João Murilo e quando não houvesse mais suporte no HJM, esses hospitais receberiam essa demanda. Só que no HJM não existe absolutamente nada no que diz respeito à obstetrícia”, denunciou.

Edvaldo Bione afirmou que existem os profissionais que trabalham no Hospital João Murilo que fazem o parto normal. Só lamenta de que não esteja havendo o pré natal em atenção às mulheres grávidas.

Contudo, Bione trouxe um dado interessante, a de que dos 11 mil partos que foram realizados pelos hospitais credenciados mais de 80% são de pacientes de fora da Vitória de Santo Antão. “De janeiro a novembro de 2009 vieram do Recife para cá, 432 cesarianas e 44 partos normais, ou seja, 10% de partos normais e 90% de partos cesarianos”, divulgou o médico.

Bione citou que pela regra as gestantes que chegarem aos hospitais devem ser encaminhadas por um sistema de senha específica, ressaltando que há dezenas de gestantes que chegam a Vitória sem nenhuma senha, trazidas de ônibus, de Van e carros. “Esses absurdos são denunciados por estas ONGs que criticam, é preciso que haja fiscalização”. Lembrando que os partos normais pelo SUS são mais valorizados que os cesarianos, até como incentivo para que haja mais partos normais.

Informou ele que há indicação de que 20% dos partos sejam cesarianas e 80% normais, Vitória está fazendo praticamente ao contrário, mais de 70% dos partos são cesarianos pagos pelo SUS.

Lamentando a ausência de melhor estrutura operacional do Hospital Regional, Edvaldo Bione denunciou que existem profissionais com dois vínculos prestando plantão no mesmo horário.
“A gente observa com muita freqüência no João Murilo plantões com uma quantidade de médicos, mas na hora do atendimento fica só um atendendo.
Vá na segunda-feira pela manhã à urgência que você ver apenas um profissional atendendo centenas de pessoas. Isso ocorre porque existe uma infinidade de pessoas procurando o Hospital devido à dificuldade de atendimento nos postos de ambulatórios também da Prefeitura. A questão médica hoje não e só do Estado, mas como é um Sistema Único de Saúde os três (municipal, estadual e federal) precisam atingir esses objetivos em sintonia”, refletiu.
Considerou que se no João Murilo os profissionais de plantão todos atendessem não haveria aquela multidão na frente para ser atendido.

Depois Bione abriu o jogo para a essência do problema:

“É que os profissionais dividem o horário e nessa divisão de horário uma coisa que a Secretaria de Saúde não poderia permitir era que estes profissionais que estejam naquele horário, saiam para resolver problemas pessoais e tenham outras atividades, inclusive atividade médica em outra unidade. Tem profissional no João Murilo que tá de plantão e opera em outro hospital. Isso aqui não é uma denúncia não. A população sabe, os funcionários sabem, a diretoria do hospital sabe e não toma nenhuma providência. Tem profissionais com dois vínculos no João Murilo e dão dois dias de serviços no ambulatório do João Murilo. Existem profissionais que estão lá inscritos e que não cumprem sua carga horária. Se você procura um traumatologista hoje para encontrar é difícil. Os traumatologistas deveriam estar de plantão no João Murilo, o que acontece: eles dividem o plantão como se fosse de 12 horas e recebem por 24 horas, isso apenas para citar uma categoria”, resignou-se.

“É como se pudesse ocupar dois espaços ao mesmo tempo. Como você pode está de plantão no João Murilo e opera em outra unidade hospitalar no mesmo horário?”, indagou Bione.

“A população de Vitória de Santo Antão sabe e conhece esses fatos. As pessoas que procuram o João Murilo sabem das dificuldades que o hospital enfrenta hoje. O que existe é a falta de compromisso com o povo, isso é muito claro!” […]
“O que queremos é que essa situação melhore e o Governo do Estado invista na prevenção. Esperamos que isso se modifique e que os gestores responsáveis por esse problema façam uma reflexão, tendo compromisso com as comunidades”, defendeu.

Apresentação: Lissandro Nascimento.
Produção:
Jáder Siqueira, Orlando Leite e Cláudio Gomes.
Equipe: Emerson Lima, Berg Araújo, Genilda Alves.