Ceclin
fev 13, 2011 0 Comentário


Matrículas na EJA caem 15%


Publicado em 13.02.2011

Demétrio Weber
Agência O Globo


BRASÍLIA – Enquanto a presidente Dilma Rousseff promete ampliar o ensino técnico e melhorar o ensino médio, o Censo Escolar de 2010, divulgado em dezembro, mostra que o Brasil retrocedeu em outra frente também importante para a qualificação de mão de obra. As matrículas na chamada educação de jovens e adultos (EJA) – antigo supletivo – caíram 14,9% de 2007 a 2010, uma redução de 740 mil alunos.

A queda preocupa o Ministério da Educação, que ainda tenta entender as causas do fenômeno. Afinal, 57,7 milhões de brasileiros com 18 anos ou mais não tinham completado o ensino fundamental nem frequentavam a escola em 2009, segundo a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). Se for considerada a população sem ensino médio, o número é ainda maior.
Ou seja, uma coisa é certa: o que não falta no Brasil são alunos em potencial para as turmas de EJA. Apesar disso, o Censo Escolar mostrou que as matrículas diminuíram 8% de 2009 para 2010, com o universo de estudantes de supletivos caindo para 4,2 milhões (- 403 mil).
Dilma dedicou seu primeiro pronunciamento nacional em rede de rádio e tevê, na quinta-feira, ao tema da educação. Ela anunciou o lançamento, ainda no primeiro trimestre, do Plano Nacional de Acesso à Escola Técnica, o Pronatec. “Nenhuma ferramenta é mais decisiva do que ela (educação) para superarmos a pobreza e a miséria.”
A existência de um público-alvo para a educação de jovens e adultos superior a 57,7 milhões de pessoas foi destacada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), órgão do MEC, responsável pelas estatísticas oficiais. “Os números são contundentes, ou seja, o atendimento de EJA é muito aquém do que poderia ser.”
“A gente fala tanto que o conhecimento é vital para o desenvolvimento e o crescimento econômico. E tem uma parte grande da população que não consegue sequer completar o ensino fundamental”, diz Timothy Ireland, especialista do escritório brasileiro da Organização das Nações Unidas para a Ciência, a Educação e a Cultura (Unesco).
Ex-diretor de EJA do Ministério da Educação, Ireland chama a atenção para a redução de matrículas na educação de jovens e adultos indica que os cursos de alfabetização estão produzindo poucos resultados e que não está havendo articulação, isto é, o recém-alfabetizado não permanece na escola, falta adequação dos conteúdos e das escolas para o público adulto.
O censo revela que o total de escolas que oferecem EJA vem caindo. De 2007 para 2010, a redução foi de 7,3%, com 39.641 unidades no país. Há diminuição ainda das matrículas noturnas, que respondem por 86% do atendimento. No período de 2007 a 2010, a queda foi de 14,8%.
Entre as hipóteses levantadas pelo MEC para explicar o retrocesso há uma que não deixa de ser irônica: a criação do Fundeb (Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica) teria drenado recursos da EJA, na medida que o dinheiro dos supletivos é repassado no bolo de toda a educação básica.

(Jornal do Commercio).