Ceclin
ago 18, 2010 0 Comentário


Mata Sul ressurge na poeira

Publicado em 18.08.2010

Aos poucos, cidades da região voltam ao ritmo normal após a enchente que, há dois meses, provocou destruição e deixou famílias inteiras desabrigadas

Dois meses após a enchente que atingiu de forma mais intensa os municípios da Mata Sul de Pernambuco, os sinais da devastação persistem. Mas, aos poucos, a vida volta ao ritmo normal. Com a remoção dos entulhos e da lama, a paisagem começa pelo menos a lembrar uma cidade. Em Palmares, por exemplo, mesmo que ainda timidamente, o comércio inicia uma fase de recuperação. Muitas portas ainda estão fechadas.

Já é possível observar os abrigos, grande parte em escolas, mais vazios. Na cidade, várias pessoas andam de máscara. A lama seca produz uma poeira insuportável e cria uma nova atividade: o aguador de asfalto. Entre a venda de um DVD e outro, o ambulante Ezequiel Roberto da Silva, 23 anos, molha com uma mangueira a Rua da Notícia, uma das principais de Palmares. A cena se repete em vários pontos do município. Pessoas no sol durante horas jogando água no chão.

O trânsito melhorou um pouco, mas ainda é bastante caótico. O tráfego de caminhões e máquinas pesadas pela cidade ocasiona os congestionamentos. Muitas vias ainda estão sendo desobstruídas.

Nos abrigos, a situação é bem melhor. No Centro Social Urbano de Palmares, mais de 50 famílias sobrevivem graças a um restaurante móvel montado, de maneira voluntária, por empresários. Ontem, a fila para garantir o almoço era enorme. Cícero Luiz de Lima, 60 anos, agradecia o prato de comida. “Estamos há dois meses nesta situação. Mas está bom assim mesmo. Tem comida, roupa e sapato. Só não tem dinheiro. Mas temos a vida não é?” Na mesma fila, Wellington Ferreira da Silva, Luiz Jordão da Silva, 70, também comemorava a vida dois meses depois. “Não morri por muito pouco. A água subiu muito. Chegou a ficar no meu pescoço. Graças a Deus, fui resgatado por amigos. Estou aqui no acampamento. É a única forma de sobreviver. Não sei para onde vou depois.”

O governo só deve começar a construção das unidades habitacionais em setembro. A previsão é que 600 casas vão ser erguidas inicialmente em Palmares e Barreiros. O presidente da Companhia Estadual de Habitação e Obras (Cehab), Amaro João, prevê que os imóveis, destinados a pessoas afetadas pelas enchentes de junho, fiquem prontos em 90 dias. Em Pernambuco, foram cerca de 11.600 casas destruídas. Além de Barreiros e Palmares, as cidades com maior número de desabrigados são Água Preta, Catende, Cortês e Maraial. Para construir as 11.600 casas, Amaro João calcula que sejam necessários cerca de R$ 400 milhões, apenas do programa federal Minha Casa, Minha Vida, sem contar com investimentos de infraestrutura, que serão bancados pelo Estado.

ESCOLAS – Encontro com o Secretário de Educação

Em Água Preta, também na Mata Sul, poucas famílias ainda estão abrigadas na Escola da Rede Estadual João Vicente, no Centro. Wellington Ferreira da Silva, 29, a mulher, Ana Paula Jacinta, 20, e dois filhos pequenos passaram mais de um mês dormindo no corredor da unidade de ensino. “Há uma semana, conseguimos um lugar na sala de aula. Todos os dias, avisam que a gente vai sair no domingo. Mas, nem todo mundo foi transferido.”

Às 10h de hoje, os secretários de Educação de 39 municípios, que decretaram estado de calamidade pública ou situação de emergência, vão se reunir com o secretário de Educação de Pernambuco, Nilton Mota, para discutir como vai ser a reconstrução e reforma das escolas atingidas pelas chuvas.

Os R$ 127,7 milhões repassados pelo Ministério da Educação (MEC) para recuperar as escolas públicas estão na conta do Estado desde a semana passada. O governo federal estipulou um prazo de 20 dias, a contar da data em que o dinheiro foi depositado na conta, para que o Estado apresente plano, detalhando como vai aplicar a verba e em que prazo.
(Jornal do Commercio).

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