• Ceclin
fev 10, 2009 2 Comentários


Manoel Mattos não morre

por Fernando Ferro*

Dizem que guerreiros quando morrem se transformam em estrelas no céu. Passam a guiar à noite os caminhantes pela Terra. Manoel Mattos, mesmo estando entre nós, já era essa estrela, guiando, ajudando, organizando os trabalhadores e construindo um novo mundo.
Sua partida deixa entre nós um imenso vazio, sua trajetória de vida é de uma dignidade e de uma pureza de alma sem tamanho. Preocupado com a justiça, com os direitos das pessoas, escolheu o lado dos humildes, dos necessitados e colocou sua vida, sua profissão e sua militância política a serviço da vida digna para todos. Bateu de frente contra os interesses dos violentos, dos corruptos e de tudo que estivesse provocando a injustiça. Adquiriu o ódio de pessoas más e sem caráter. Desafiou esta rede de intrigas e violência que opera na Mata Norte do nosso Estado. MANOEL MATTOS NÃO MORRE, porque não some a luta contra o mal, a injustiça e a opressão e o preconceito. MANOEL MATTOS NÃO MORRE porque a sede de justiça continua viva nos seus companheiros e amigos de caminhada.
Nossa luta é para que o crime tenha uma investigação coordenada pela Polícia Federal e que os acusados sejam julgados pela Justiça Federal. É necessário uma campanha concentrada contra os grupos de extermínio e um esforço para que os criminosos não sejam julgados nos estados onde atuam, e para que, após o julgamento, sejam transferidos para outros estados.
É necessário enfrentar o problema dos grupos de extermínio com um esforço concentrado, sem precedentes, como uma prioridade do Estado brasileiro, como política pública essencial para a prevalência do direito à vida. Os criminosos devem ser julgados em estados diferentes daqueles onde atuam, infligem o medo e paralisam o poder público local. Os condenados devem ser isolados em presídios federais, sem chances de manter contatos com seus comparsas.
É fato que os grupos de extermínios são formados em sua maioria por policiais, ex-policiais e outros agentes públicos, que se valem dos meios providos pela sociedade para agir contra ela. Essa característica dá às violações uma gravidade ainda maior, e justificam o emprego dos recursos de segurança pública da União como único meio eficaz para enfrentar o problema estrutural junto aos Estados, onde o medo de muitos, as alianças do crime organizado com setores do poder local e a omissão de outros tem produzido a impunidade dos criminosos.
Pela memória deste companheiro fiel, para que sua bandeira de respeito pelos Direitos Humanos e sua incansável luta pela paz continue firme, sugerimos a criação do Centro de Cidadania e Defesa dos Direitos Humanos Manoel Mattos, com sede na sua terra natal, Itambé.
Manoel Mattos foi para outro plano, mas entre nós continua seu exemplo, sua família, sua luta, coragem e vontade de mudar o mundo. Queremos a apuração rigorosa e a punição dos culpados por este crime, pois se isso não ocorrer, o medo vence.
Não vamos permitir que nossas lágrimas de tristeza e saudade por Manoel Mattos se transformem em lágrimas de vergonha pela impunidade e inoperância dos poderes do Estado Brasileiro. A verdade e a justiça vencerão.
Não esqueçamos que, apesar do escuro da noite, a madrugada nos traz a luz.
Fernando Ferro,
* Deputado Federal PT/PE
(Folha de Pernambuco)
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