Ceclin
jun 16, 2010 3 Comentários


Maioria dos bebês nascidos em Vitória de Santo Antão são de fora

O PROGRAMA A VOZ DA VITÓRIA pela Rádio Tabocas FM (98,5) convidou para um debate o médico Dr. Décio Canuto dos Anjos, o diretor do Hospital João Murilo de Oliveira e representantes do Centro das Mulheres da Vitória de Santo Antão.
O assunto da pauta seria o grande número de partos realizados no Município e a falta de estrutura do referido Hospital para a realização dos partos cesários.

A denúncia foi posta in loco pela ONG Curumim apoiada pelo Centro das Mulheres de Vitória e de Pombos, que inclusive questionam a inexistência de serviço completo e de qualidade no atendimento às gestantes que precisam do serviço público de saúde do Hospital Regional João Murilo de Oliveira, em Vitória.

Através de um ofício fomos informados que o Diretor Geral do Hospital João Murilo, Dr. Júlio Reis, estaria impossibilitado de participar do Programa devido a um compromisso em Recife; já o Centro das Mulheres informou que não foi possível contactar os representantes das ONGs de Recife que promoveram a passeata.
Em nosso estúdio, o Dr. Décio Canuto dos Anjos rebateu algumas críticas e explicou que os Hospitais que prestam serviços obstetrícios atendem apenas uma demanda que lhe é solicitada.


Alguns pontos da entrevista:

“Essas denúncias vieram a público pelo noticiário local e comentários da população, mas oficialmente por intermédio da Secretaria de Saúde não tivemos nenhum comunicado. Em relação ao João Murilo eu não posso dizer nada, cabe ao governo do Estado e os órgãos competentes fazerem sua defesa”, disse o obstetra.

Quanto ao número de partos que ocorre em Vitória, Dr. Décio informou que a minoria é da população local, o restante são de outros municípios e Estados vizinhos, a exemplo da Paraíba que manda gestantes para ter seus filhos em Vitória de Santo Antão, pois segundo ele, sabem que o Município conta com uma boa estrutura para a realização das intervenções.

Indagado sobre a demanda de parto cesário o médico informou que todas as pacientes que vêm a Vitória são indicadas a fazer a cesariana, pois a maioria das gestantes que chegam sinalizam com complicadores que exigem o procedimento cesariano, explicando o número alto de cirurgias realizadas. Explicou que o grande complicador que leva as cesarianas é a má posição do feto e problemas de infecção causados por excesso de toque para ver a posição do bebê.
“Quanto ao fato de dizer que Vitória de Santo Antão faz muitas cesarianas é correto, pois quando chegam as pacientes aqui enviadas por outros municípios ou a gente realiza o parto ou morre mãe e criança, pois não tem como mandar de volta”, desabafou o cirurgião.

“O encaminhamento das gestantes são feitos através de senha designada pela Central de Partos que tem mapeado a quantidade de leitos disponíveis em cada hospital. Então essa paciente é trazida até o hospital definido, apesar de que já atendemos as pessoas das cidades vizinhas sem a senha, pois não se pode deixar de atender a uma gestante em trabalho de parto, isso representaria risco para ela e a criança,” pontuou Décio Canuto.

Esclarecendo o fato de Vitória nascer tantos bebês afirmou: “Vitória de Santo Antão realiza mais parto que Caruaru e é verdade. Vitória de Santo Antão é o 2º polo de obstetrícia de Pernambuco e isso me dá orgulho, pois temos a APAMI que detém um legado de uma Maternidade com mais de 50 anos de serviços. Em seguida temos o Pronto Socorro e o Hospital Geral com mais de 30 anos de serviços prestados a população”, defendeu.

“É por isso que temos orgulho do que fazemos em Vitória. Além de ser um polo de obstetrícia, aqui é referência em cirurgia vascular onde também recebemos pacientes de outros municípios e Estados vizinhos. Temos ainda o Hospital Santa Maria que é uma referência em traumatologia e ortopedia. O que eu posso dizer é que Vitória de Santo Antão está muito bem representada por seus hospitais”, salientou Dr. Décio.

“Quanto ao fato de ter que fazer apenas 20% de cesariana isso não existe, deixou de ser usado juntamente com o fórceps que nenhum médico mais realiza esse procedimento para ajudar a criança nascer. Outro procedimento que não é mais utilizado é o critisteler quando a parteira subia em cima da barriga da mãe, para ajudar a criança a nascer. Esses métodos que foram praticados antigamente deixaram muita criança com seqüelas graves, até hoje temos muitos adultos com paralisia cerebral devido a procedimentos desse tipo no passado”, lembrou .

O obstetra explicou que a cesariana é uma cirurgia relativamente simples que pode ser feita em aproximadamente 30 minutos. O risco de complicação é o de qualquer outro procedimento cirúrgico e o tempo de internamento é em torno de 48 horas, salvo condições atípicas.

Décio Canuto informou que a cirurgia é recomendada para gestante que foi cesariada, mulher que está grávida de criança muito grande acima de 3,5 quilos, gêmeos com ruptura de útero, criança que está curvada dentro da placenta e alguns outros casos.
Quanto à quantidade de leitos, segundo ele, Vitória conta com uma boa quantidade de leitos de obstetrícia somando os três hospitais conveniados. O tempo médio de ocupação é de 48 horas, mas há casos em que o paciente se sente bem e sai em 24 horas, já houve casos em que a paciente ficou quatro dias internada.

Sobre o pré natal, o médico informou que só é realizado em hospitais quando a gestante é tratada por seu médico particular, na maioria das vezes a gestante realiza seu pré natal em postos de saúde da família (PSF) e em ambulatórios dos municípios, onde tanto os médicos quanto as enfermeiras estão aptas para realizarem o acompanhamento da gestante, que já chega aos hospitais com vacinação em dia e uma cópia de todo o procedimento realizado durante o pré natal, ressaltando que esses profissionais estão executando um excelente trabalho.

Perguntado sobre essas crianças que nasceram no Município e como será feito o registro de nascimento, o médico informou que ao deixar o hospital os pais das crianças levam um documento onde está descrito o dia do nascimento, o nome do hospital e a cidade onde nasceu, sexo do bebê e peso; para quando o pai chegar à cidade de origem efetuar o registro, reiterando que a criança será registrada como vitoriense, pois foi aqui que este ou esta nasceu.

Finalizando, Décio Canuto recomendou para as mães de primeiro parto que tenham seus filhos através do parto normal, contudo, devido ao testemunho de parentes que tiveram parto normal elas já chegam ao hospital decididas a fazer uma cesariana.

Apresentação: Lissandro Nascimento.
Produção: Jáder Siqueira, Orlando Leite e Cláudio Gomes.
Equipe: Emerson Lima, Berg Araújo, Genilda Alves.