Ceclin
set 28, 2008 2 Comentários


Livro explica novas regras ortográficas

As regras do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em 1990, e que entram em vigor no Brasil a partir de janeiro de 2009, vão afetar principalmente o uso dos acentos agudo e circunflexo, do trema e do hífen. Cuidado: segundo elas, você não poderá mais escrever que foi mordido por uma jibóia, e sim por uma jiboia. Aquela sua boa idéia será má ideia, porque é assim, sem o acento agudo, que você deve passar a escrever a palavra. Será que você vai aguentar tanta mudança? A estreia de algumas normas nesta reportagem que você está lendo não passa de brincadeira. Segundo o Ministério da Educação, haverá um prazo de transição até o fim de 2012, em que ambas grafias serão aceitas nos oito países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP): Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe.
Uma boa ideia, no entanto, é já recorrer ao recém-lançado Escrevendo pela Nova Ortografia, guia esmiuçado das regras, parceria entre a Publifolha e o Instituto Houaiss. A publicação teve coordenação do professor José Carlos de Azeredo, doutor em letras pela Universidade Federal do Rio Janeiro. Para Azeredo, não se pode entender o acordo como uma proposta de simplificação, mas sim de unificação ortográfica.
Para que fosse possível, foi necessário que o Brasil e Portugal abrissem mão de convicções. O Brasil abriu mão do circunflexo e agudos, em alguns casos, e sobretudo do trema. Portugal abriu mão do p” de adoptar e do c” de direcção.

HISTÓRICO

Além da íntegra do acordo, o livro traz um histórico das reformas da ortografia portuguesa, desde as primeiras propostas de simplificação feitas pelo foneticista português Gonçalves Viana (1840-1914), em 1904, com o lançamento do livro Ortografia Nacional.
Em Portugal, os livros e revistas tinham uma ortografia influenciada pela etimologia das palavras, e ainda grafavam philosophià em vez de filosofia. Lá, isso foi mudado em 1911, e somente em 1931 a simplificação foi feita no Brasil. O professor lembra que já em 1945 Portugal adotou mudanças que sequestraram o trema de seu vocabulário. Também àquela época caíram o acento agudo de europeia e o acento diferencial de govêrnò (substantivo) e governò (verbo). O Brasil não adotou aquelas novas regras. Somente em 1971 tivemos a supressão do acento diferencial.
Para Azeredo, as regras do novo acordo quanto ao uso dos acentos circunflexo e agudo, ou à eliminação do trema, são bem claras. Não será preciso nenhum esforço heroico para colocá-las em prática. Já o hífen, um enjoo para quem precisa seguir regras, continuará a ser o calcanhar de Aquiles – e não mais calcanhar-de-aquiles, a propósito- de qualquer um. (Jornal do Commercio).