• Ceclin
jan 25, 2009 1 Comentário


Jovens sem limites!

ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente, como instrumento jurídico completou recentemente 18 anos de existência. Pela sua concepção e importância deveria ter trazido aos jovens principalmente, um conjunto de direitos e benefícios que tornaria nossa sociedade invejada por todas as nações civilizadas do planeta.
Como um dos objetivos principais, trouxe com muito rigor normas que impedem a exploração do trabalho infantil e cercou de direitos e proteção nossos queridos jovens e adolescentes.
A aplicabilidade e a interpretação do contexto jurídico foi divulgado com boa repercussão nos meios de comunicação, tendo algumas ações espetaculares contra excessos e abusos, proporcionando aos canais de TV audiências garantidas em seus telejornais.
O fato, é que as mudanças sociais foram muito bruscas e radicais, e só a sociedade mais consciente pode perceber ate onde os efeitos podem ser realmente sentidos.
Sob o pretexto de evitar a evasão escolar, proíbe-se o trabalho infantil, até nas camadas de menor poder aquisitivo. Assim sendo, os pais não poderão contar com o auxílio de sua prole nas tarefas rotineiras de onde conseguem retirar o sustento da família, manda-os para escola onde irão conviver com outros jovens mais abastados ou totalmente livres da necessidade de colaborar nas tarefas profissionais, comerciais, ou caseiras básicas deu uma família.

Essa ociosidade, potencializada pela convivência de classes econômicas mais favorecidas padronizam uma necessidade de consumo de itens que antes não faziam parte das aquisições normais dessas famílias: MP3, celulares sofisticados, pen drive, computadores e mesada mensal para os gastos pessoais da meninada
Essas despesas extras, sacrificaram o poder aquisitivo do pai e obrigaram as mães a ir a luta, trabalhar para completar a renda familiar. Assim, passaram a deixar os filhos sob os cuidados de uma doméstica e aprendendo muitas das coisas que sabem e praticam, assistindo televisão.
Lutas, golpes marciais, intrigas, erotismo e um razoável e subliminar apelo sexual é diariamente exibido nos programas de TV, sem falar na violência propriamente dita.
Tom & Jerry, Pica Pau, Homem aranha e outros mais recentes, ensinam a levar vantagem sempre e resolvem tudo na porrada. Mamãe e papai nunca estão em casa para orientar e selecionar o que é certo e o que é errado, eles só intervém quando acionados por uma “bronca” que já aconteceu, assim, tem que correr atrás do prejuízo.
A precocidade do namoro, do sexo e da maternidade nos dão uma ideia do sucesso e aprendizado que a televisão produz na juventude atual , o incentivo a beber (cervejas) com moderação é intenso com imagens de belíssimos jovens em bares , baladas ou praias, sempre levando vantagens sobre os demais, em escolher as melhores conquistas e as melhores cervejas (marcas).
Há inúmeras oportunidade de consumir bebidas alcoólica e facilidade ao acesso de outras drogas. A maconha e o crack são consumidos sem cerimônia e sem culpa.
A TV pouco mostra de incentivo a cultura e a educação, quando aparece algo ligado a essas áreas geralmente são expondo as péssimas condições das escolas públicas, violência escolar, agressões ou noticiam altos índices de reprovação e baixa qualidade no desempenho de professores e alunos.
É isso que merecemos ? Foi pra isso que geramos filhos?
Assim, poucos se convencem que o ECA contribuiu para melhorar a qualidade de vida das famílias.
Sem um preparo psicológico consistente, a Lei Maria da Penha, punindo as agressões e dando as mulheres o reconhecimento de seus direitos legais, tem funcionado de modo inverso, levado mulheres a procurar uma autonomia e liberdade com tanta ansiedade que passaram a se comportar de modo competitivo aos homens inclusive nas ações ilegais.
Pelos noticiários, conhecemos a extrema violência em que se envolveram algumas mulheres, inclusive na área do uso, trafico de drogas e outros delitos anteriormente atribuído aos homens.
A prostituição que antes era limitada a algumas “zonas” hoje vulgarizou-se em praças, avenidas (Conselheiro Aguiar) centros comerciais, bares em geral, festinhas e até em shoppings . Coisas da modernidade. Use camisinha. É a globalização.
É possível que, esse cenário trágico seja revertido em médio ou longo prazo, quando a juventude vislumbrar oportunidades que estão surgindo e deverão surgir ainda mais quando efetivamente o complexo industrial que ora se instala no nordeste através de SUAPE atinja a plenitude de seu funcionamento trazendo ao conhecimento de famílias, história de jovens que começaram a trabalhar, produzir e vivenciam o sucesso de ter se capacitado e competido para conseguir vagas de trabalho com remuneração justa e digna.
Há muito, convivemos com a cultura que estimula os jovens somente a participar de festas, baladas e bebedeiras, distanciando-os de uma necessidade de se preparar para uma profissão, um futuro, uma oportunidade de viver melhor.
Quem tem grana, participa das baladas, de carnavais fora de época e de todo frege que aparece, sem problemas, os outros que não tem grana, sentem-se no direito de participar do mesmo modo, mesmo que pra isso tenham que agir conforme sua impetuosidade permitir.
Se a mídia, principalmente a TV ajudasse incentivando positivamente a moçada a queimar as pestanas estudando, mudando a forma de tratar os pais e principalmente os professores, colaborando no trabalho que só dignifica a família, esta página seria virada de nossa história, cairiam os índices de violência e com certeza a sociedade estaria bem mais perto da PAZ.
“Sim, nos podemos”!
por Valdemiro Cruz,
da Pastoral Carcerária.