• Ceclin
set 18, 2008 4 Comentários


Jayme Asfora chama Varejão de laranja de Eduardo Campos

Trecho da reportagem de cidades do JC sobre o desfecho da greve dos médicos do Estado.
O presidente da OAB-PE, Jayme Asfora, foi o mais aplaudido durante a assembléia dos médicos.
Visivelmente emocionado, disse que o governo o rejeitou como intermediador e lembrou que, no ano passado, foi um dos principais responsáveis pelo entendimento entre os dois lados.
Em sua fala, declarou que estava com vergonha do Ministério Público de Pernambuco e chamou o procurador-geral de Justiça, Paulo Varejão, de “laranja do Executivo e preposto do governador Eduardo Campos”. Asfora foi ovacionado e aplaudido de pé por todos os médicos presentes.
PAULO VAREJÃO RESPONDE:
O Procurador Geral de Justiça, Paulo Varejão, tendo em vista as inconseqüentes declarações prestadas pelo senhor Jayme Asfora, em Assembléia dos Sindicatos dos Médicos de PE, atacando a imagem do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), dos seus membros e servidores, bem como da sua pessoa, vem pela presente esclarecer:
Ante o que estabelece o art. 5º combinado com os arts. 127 e 129, II, da C.F./88, que prescrevem a inviolabilidade do direito à vida e ao Ministério Público a sua defesa, bem como à ameaça a este direito, notadamente da parcela mais carente da população, provocada por pedido de exoneração em massa de médicos pertencentes à rede pública de saúde estadual, procurou juntamente com o Ministério Público do Trabalho, mediar uma solução negociada para o conflito, antes da verificação de óbitos que poderiam resultar do movimento demissionário.
Para tanto, em vista da gravidade da situação, suspendeu suas férias e convocou para um domingo reunião com as partes, quais sejam: Governo do Estado, Sindicato dos Médicos e Cremepe.
Na referida reunião, fez-se presente o senhor Jayme Asfora, embora não tivesse sido convidado. Mesmo assim, foi tratado com cortesia e urbanidade por este procurador geral, sempre dispensada a representantes da OAB. Na oportunidade, inclusive, foi-lhe concedido direito à assento e voz, mesmo que sua participação pessoal tenha, já naquela oportunidade, sido questionada, pois não se sabia se o mesmo estava ali como representante da insigne Instituição OAB/PE que preside ou como advogado do Sindicato dos Médicos, não obstante seja procurador do Estado de Pernambuco afastado, situação eticamente discutível. Tal fato foi, inclusive, questionado por parte de um representante do Governo e não pelos Ministérios Públicos.
Urge ressaltar que, segundo noticiou este jornal, na edição de ontem (17/09), o acordo fechado entre o referido Sindicato e o Governo se deu nas mesmas bases encaminhadas pelos Ministérios Públicos do Estado e do Trabalho, quais sejam: 61% de aumento e estabelecimento de cronograma para melhoria das condições de trabalho da categoria.
Ao dar-se por encerrado o assunto, lamentando tão-somente a desastrosa participação do senhor Jayme Asfora no evento, embora não surpreenda tal fato, pois o mesmo é conhecido por buscar notoriedade na mídia, fruto talvez de rasgos juvenis, se não fosse uma conduta criminosa, por atingir um bem jurídico que é fundamento do Estado Democrático de Direito e que, finalmente, não se condiz com a envergadura da Instituição que o mesmo representa.
Por fim, registre-se que o Ministério Público e este procurador geral de Justiça continuarão a se nortear pelo espírito público do qual deveriam estar imbuídos todos os dirigentes de órgãos e instituições que têm por missão a defesa dos interesses sociais do povo pernambucano.
PAULO BARTOLOMEU RODRIGUES VAREJÃO
PROCURADOR GERAL DE JUSTIÇA DE PERNAMBUCO
Em resposta à nota do Procurador-Geral de Justiça, o presidente da OAB-PE, Jayme Asfora, esclarece que:
“Em nenhum momento, em minhas declarações, ataquei a imagem do Ministério Público de Pernambuco enquanto instituição que, junto com a advocacia, é indispensável à administração da Justiça segundo a Constituição Federal. Da mesma forma, como advogado e ex-promotor de Justiça, ressalto que as críticas por mim proferidas não foram direcionadas aos membros do Ministério Público de Pernambuco e nem aos seus servidores”.
Com informações do Blog de Jamildo.