• Ceclin
jul 23, 2019 0 Comentário


Jaboatão dos Guararapes é destaque negativo em saneamento no Brasil

Município é o segundo mais populoso do Estado. Foto: Brenda Alcântara/ JC Imagem

Município é o segundo mais populoso do Estado. Foto: Brenda Alcântara/ JC Imagem

Cidade está na 94ª colocação do ranking de saneamento que leva em conta os 100 maiores municípios brasileiros 

Jornal do Commercio

Para moradores do segundo município mais populoso de Pernambuco, com mais de 695 mil habitantes, falta o mínimo: dignidade para viver. Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife, está entre os 10 piores municípios do País em saneamento básico, de acordo com o ranking produzido pelo Instituto Trata Brasil, em parceria com a consultoria GO Associados. A versão de 2019 leva em conta os dados do Ministério do Desenvolvimento Regional do ano de 2017 e contempla as 100 maiores cidades brasileiras, onde habitam 40% da população.

No País, o cenário é preocupante. “Temos 35 milhões de brasileiros sem acesso a água tratada e quase 100 milhões de pessoas sem coleta de esgoto”, destaca o pesquisador do instituto, Pedro Scazufca. Para ele, a raiz do problema está na falta de investimentos. “Não estamos investindo na velocidade necessária. De acordo com o Plano Nacional de Saneamento Básico, o investimento deveria ser de R$ 20 bilhões anuais e, em 2017, esse valor ficou na casa dos R$ 10,9 bilhões. A consequência disso é que estamos longe da meta estabelecida pelo mesmo plano, de universalizar o serviço em 2033. Seguindo nesse ritmo, alcançaremos o objetivo 20 anos depois.”

Jaboatão está entre os destaques negativos do ranking. “Assim como no Brasil, de forma geral, esse município tem um grande desafio no tratamento de esgoto”, analisou o especialista. Apenas 19,11% do município tem atendimento de esgoto. Desse número, apenas 14,92% é tratado. A dona de casa Penha Cristina de Barros, de 48 anos, conhece bem os problemas decorrentes da falta de saneamento. A casa onde mora, em Jardim Piedade, fica à beira de um canal, que traz lixo, insetos, roedores e doenças para a população. “Muita gente, como eu, já teve chicungunha por causa da quantidade de mosquito”, conta. Outros moradores, como a faxineira Eliana Maria da Silva, 33, já perderam tudo dentro de casa, devido aos alagamentos. “Perdi sofá, estante, geladeira, cama e guarda-roupas. Tenho três crianças em casa e vivo com medo”, lamentou.

O presidente da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa), Roberto Tavares, afirmou que o ranking leva em conta números de 2017 e as obras iniciadas depois disso não impactaram as performances de alguns municípios. “O ranking não consegue capturar os esforços que estão sendo feitos para melhorar o serviço. Iniciamos obras dentro do Cidade Saneada no valor de R$ 90 milhões em Jaboatão. São 12 frentes de obras em Candeias”, comentou.

DESTAQUES
Os destaques positivos no Estado são Petrolina, no Sertão, que ocupa a 25ª posição; e Caruaru, no Agreste, que ficou na 35ª colocação do ranking. “Em Petrolina, o indicador de abastecimento urbano de água é de 100%, o atendimento atendimento de esgoto é de 78% e 70% do esgoto é tratado. São bons indicadores, de forma geral”, avaliou Scazufca. Em nota, a Compesa afirmou que, nos últimos dez anos, o município recebeu investimentos de R$ 156 milhões, o que contribuiu para avançar na ampliação e melhoria contínua dos serviços.

Caruaru foi uma das cidades que mais cresceram no ranking do instituto: foram 15 posições, em relação ao levantamento do ano anterior. Agora, o município aparece com 53,23% de atendimento total de esgoto, contra 47,82% na pesquisa de 2018. Para Tavares, o município subiu na avaliação basicamente por causa da Adutora do Pirangi, que aumentou a oferta de água, acrescentando que também foram recuperadas quatro estações de bombeamento de esgoto e vários bairros foram ligados à rede coletora (de esgoto). A Compesa informou que está investindo R$ 50 milhões em obras na cidade e que até o fim do ano estará pronto o projeto de engenharia para deixar Caruaru 100% saneada.