• Ceclin
set 08, 2009 2 Comentários


Investimento da Kraft será de R$ 197,4 mi

Publicado em 08.09.2009

A fábrica teve o valor inicial estimado em R$ 100 milhões, mas custará quase o dobro. Na unidade, que funcionará em Vitória de Santo Antão, vão ser produzidos chocolates e refrescos em pó

Felipe Lima

A nova unidade industrial da Kraft Foods do Brasil, que será instalada no município de Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata do Estado, demandará quase o dobro dos R$ 100 milhões em investimentos anunciados inicialmente. A cerimônia em que foi assinado o protocolo de intenções com o governo estadual e a prefeitura da cidade ocorreu no começo do mês passado. Os aportes necessários para fazer a planta pernambucana funcionar serão de R$ 197.469.355,56, para ser mais exato. Segundo o diretor de assuntos corporativos da Kraft, Fábio Acerbi, a empresa adotou uma postura “conservadora” ao anunciar os primeiros valores e que, levando em conta questões como o câmbio e o capital de giro previsto para ser empregado até que o pico de produção seja atingido, o volume de investimentos será bem maior.
Essa nova quantia é a que consta no projeto enviado à Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (AD Diper) para solicitação de benefícios fiscais. A empresa terminou por receber o mesmo tratamento dado à Sadia (isenção de 90% no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). Acerbi explica que quando se fala em ativos fixos, ou seja, maquinário, recursos necessários para construção de tosa a estrutura e orçamento das edificações, o investimento gira em torno de R$ 120 milhões. “Aprovamos o projeto em dólar, esses R$ 20 milhões a mais representam justamente a correção cambial”, continuou.
Os pouco mais de R$ 77 milhões restantes serão destinados para o capital de giro. “É o óleo do motor que fará funcionar a fábrica, por assim dizer. Também pode ser considerado como investimento. Na verdade, assumimos uma postura conservadora. Esse valor é o que precisamos para darmos o start up, o começo das operações na nova unidade”, resumiu o diretor. O objetivo da Kraft é inaugurar a fábrica até o segundo trimestre de 2011. Para isso, o atual momento é de acelerar a elaboração dos projetos de obras civis e de engenharia, fechando os detalhes da construção para então enviá-lo para a prefeitura da cidade e o Governo do Estado analisarem. A expectativa é vê-lo aprovado rapidamente, para começar a erguer a planta em outubro.
A futura fábrica pernambucana será a primeira do grupo a integrar duas linhas de produção diferentes em um mesmo terreno. Ainda que funcionando em prédios completamente separados – inclusive com uma área de isolamento entre os dois – produzirá chocolates da marca Lacta e refrescos em pó Tang e Fresh. O processo de construção da unidade será escalonado, explicou Acerbi. “Será uma unidade extremamente moderna”. A previsão é de que sejam gerados 600 empregos diretos. E a preferência da empresa será pela mão de obra local.
A Kraft faz segredo sobre a capacidade de produção da nova planta, mas a área de 300 mil m² no segundo distrito industrial de Vitória é maior do que o terreno do complexo de Curitiba, onde fica a sede do grupo e o Tech Center – centros de pesquisa e desenvolvimento da empresa para toda a América Latina. Na época em que foi construída a estrutura da capital paranaense, em 2003, foram desembolsados U$ 150 milhões. Nessa região está concentrada a produção de chocolates (única a fazer os ovos de Páscoa da Lacta no País), queijos, alimentos diversos e também refrescos.
Além de pioneira e de grande porte, a fábrica de Vitória é estratégica para o
plano de negócios da Kraft Foods no Nordeste. Mesmo com crise, o objetivo do grupo é fechar este ano com um crescimento de dois dígitos nos negócios. O planejamento para o Nordeste, entretanto, é mais arrojado. A Kraft quer obter índices de aumento em faturamento e participação no Nordeste acima da média nacional. É nesse contexto que a unidade de Pernambuco mostrará sua força, ampliando o atendimento aos Estados nordestinos e fortalecendo a presença da Kraft. Atualmente, o Nordeste responde por 10% do faturamento da empresa no País.
(Jornal do Commercio).
Empresa faz estudo sobre a produção local

Publicado em 08.09.2009

Antes mesmo do projeto de construção estar concluído, a Kraft Foods já observa com cuidado a cadeia produtiva pernambucana, em um trabalho de mapeamento de futuros fornecedores para a fábrica. Segundo o diretor de assuntos corporativos do grupo, Fábio Acerbi, já há pessoas trabalhando nisso. “A Kraft possui uma boa fama de ser bastante criteriosa na escolha de seus parceiros”, comentou. Operacionalmente, a empresa possui mais do que um departamento de prospecção: adota uma política de “desenvolvimento do fornecedor”.
O tempo para preparar um parceiro leva de seis meses a um ano. O candidato passa por auditorias de qualidade em todos o seu processo de produção. Além disso, tem o fator preço, que pesa bastante na decisão do grupo. Para a planta de chocolates de Vitória de Santo Antão, por exemplo, serão demandados três grandes insumos – leite em pó, açúcar e cacau. Desses, o açúcar é, a partir de agora, o que apresenta maior potencial de englobar empresas pernambucanas (as usinas e engenhos) nas futuras operações da Kraft no Estado.
“Nossa vontade é de conseguir formar as melhores sinergias em Pernambuco. Fará todo sentido se efetuarmos boa parte de nossas compras junto a fornecedores locais”, afirma Acerbi. Como, na época do lançamento da fábrica, a hipótese de o Nordeste vir a ganhar novos produtos da Kraft não foi descartada. Vale lembrar que, recentemente, o grupo lançou o sabor seriguela para o refresco Tang e tem comemorado os resultados. E no caso de formulação de novos artigos, outros setores podem vir a se tornar candidatos a parceiros da empresa.
(Jornal do Commercio).