• Ceclin
set 30, 2019 0 Comentário


Interno da Funase se torna professor em Vitória de Santo Antão

Interno da Funase se torna professor em Vitória de Santo Antão

É usando couro como matéria-prima e muita criatividade que adolescentes em medida de internação na Fundação de Atendimento Socioeducativo (Funase) estão aprendendo a produzir itens como bolsas, carteiras e porta moedas. O curso de Artesanato em Couro, certificado pelo Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), teve início nesta semana no Centro de Atendimento Socioeducativo (Case) Vitória de Santo Antão, na Mata Sul de Pernambuco. Um diferencial é que as aulas são ministradas por um socioeducando, que já havia participado de uma turma anterior do treinamento profissional e se voluntariou a atuar como instrutor.

O adolescente D.S.S., de 17 anos, teve contato com a atividade em julho, durante a formação ofertada pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) no Case Vitória. Juntamente com outro socioeducando, que já recebeu liberdade, ele se destacou em meio aos dez alunos do grupo e foi convidado a repassar a habilidade que adquiriu no manuseio do couro à nova turma iniciada nesta semana. Para isso, assinou um termo de voluntariado junto ao CIEE. Está, agora, no rol de instrutores de cursos realizados na Funase. O trabalho dele está sendo acompanhado por agentes socioeducativos e por técnicos da unidade onde as aulas ocorrem.

“Foi a primeira vez que eu tive essa experiência com artesanato e couro. O pessoal foi vendo minha habilidade e me deu essa oportunidade de ensinar. Do mesmo jeito que eu tive a capacidade de aprender, os outros têm e podem procurar um futuro melhor. Estou gostando muito de passar o que eu aprendi”, declara o socioeducando D.S.S., que está há quase um ano no Case Vitória.

A previsão é de que esta edição do curso de Artesanato em Couro aconteça ao longo dos próximos 15 dias, com sete alunos. O certificado do CIEE será entregue a quem concluir, pelo menos, 75% da carga horária, que é eminentemente prática, com instruções sobre corte, colagem e costura do couro. A ideia é que os produtos elaborados pelos socioeducandos sejam expostos e comercializados na sede da Funase, no Recife, como forma de reconhecimento do trabalho deles. Os recursos que forem arrecadados na ação serão usados na aquisição de materiais para novas produções durante turmas futuras do mesmo curso.

“Vemos que essa atividade está dando frutos entre os socioeducandos dentro da unidade e para a sociedade como um todo, que verá saindo da Funase adolescentes qualificados para o mercado de trabalho e menos vulneráveis. É esse adolescente que buscamos devolver para a vida fora dos muros”, avalia a coordenadora técnica do Case Vitória de Santo Antão, Karolinna Ferreira.

O curso do Senar, ofertado em julho, e o atual, do CIEE, compõem a grade de atividades articuladas pelo Eixo Profissionalização, Esporte, Cultura e Lazer da Funase junto às instituições parceiras. Na visão do coordenador responsável, Normando de Albuquerque, essas experiências têm viabilizado a avaliação de novas possibilidades. “A cada curso oferecido, descobrimos talentos. No entanto, o mais importante é que os próprios socioeducandos reconheçam seus talentos. A experiência dessa turma é um movimento de grande importância também para a construção de um espaço de maior protagonismo dos nossos jovens”, afirma.

Diario de Pernambuco