Ceclin
mar 08, 2010 1 Comentário


Hely observa reedição do "café-com-leite"

“O que me parece é que o PSDB quer implantar no Brasil uma espécie de política do café-com-leite pós-moderna, embora eles chamem de chapa puro-sangue”, reflete o cientista político Hely Ferreira.
Ao
fazer o comentário, ele compara a estratégia atual tucana de reunir os governadores José Serra (SP) e Aécio Neves (MG) numa chapa presidencial com o acordo de revezamento no poder instituído na República Velha, entre Minas Gerais e São Paulo. O primeiro Estado era o maior pólo eleitoral da época e produtor de leite, o segundo, produtor de café, era mais poderoso economicamente.
Apesar de considerar Aécio Neves um nome de densidade eleitoral, na condição de governador mais bem avaliado do País, Hely pondera que ele não reverteria votos. E questiona o fato de o mineiro ser cotado para a vice e não para a cabeça de chapa. “Ele é o governador mais bem avaliado.
Por que vai ser vice? Outra coisa que deve pairar na mente de Aécio é que Serra já teve a chance (2002) e foi derrotado”, pontua Hely Ferreira, atribuindo ao caso a condição de “jogo de carta marcada”. “Serra está disposto a atender (se Aécio quiser ser o candidato)? Não está”, arremata.

Para estudioso, o papel do candidato a vice-presidente no jogo político “é importante”. “Houve uma época em que se votava até para vice”, recorda. Levando a questão para o Nordeste, Hely sublinha a ausência de postulantes ao cargo, atualmente, na Região. “A pergunta é quem seria esse líder do Nordeste, hoje, quem estaria disposto a ser vice?”, interroga.
Pouquíssimas pessoas, na avaliação de Hely, teriam coragem de se expor a uma candidatura na Região contrária ao presidente Lula. Um nome que tem densidade para isso é o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB). Mas o PMDB quer partir aliado do presidente Lula”, ressalva.
Na análise que faz da participação do Nordeste nos processos eleitorais, lamenta o fato de a Região não ter revertido as participações que teve em influência econômica. “A influência na política nacional tem sido mais de pessoas individualmente do que propriamente dos interesses regionais”, diz Hely.
(Publicado pela Folha de Pernambuco)