Ceclin
out 22, 2010 10 Comentários


HEGEMONIA E LUTA DE CLASSES NA DISPUTA POLÍTICA BRASILEIRA (Parte II)

por Daniel Max
O que pode determinar a correlação de forças e estabelecer uma hegemonia é a capacidade que cada classe tem em consertar o seu projeto junto às demais classes do seu bloco histórico e mesmo transcender suas ideias para um contingente mais amplo quanto for possível, ou seja, transformar seu pensamento em consenso ou hegemônico.

Devemos observar que ao lado dos embates constantes, travados entre explorados e exploradores, existem sempre idéias que passam despercebidas, mas, que trazem consigo traços marcantes da ideologia dominante. Enquanto perdurarem essas ideias, existirá a necessidade de luta contra-hegemônica das classes subjugadas e em contrapartida a tentativa de manutenção desse pensamento hegemônico.

No Brasil, em que pese o significativo avanço dado pelas forças democráticas e progressistas, a ideologia dominante continua sendo a que foi construída ao longo dos tempos pelos detentores do capital, na qual a preservação do domínio passa pela eternização dos direitos sagrados que protegem a propriedade privada, como também os dispositivos econômicos e legais que “legitimam” o status quo. Isso inclui, desde a conservação da estrutura fundiária até a adoção de políticas macroeconômicas nas relações de mercado. Portanto, o pensamento hegemônico, hoje, no Brasil ainda é o (neo) liberal.

A disputa de dois projetos no âmbito nacional, ainda que não sejam ideologicamente opostos, traz à luz conflitos nítidos de interesses antagônicos e isso faz reacender a esperança na possibilidade de mudanças que são comparáveis a outros momentos importantes da nossa história, como a redemocratização pós-ditadura militar e outros, em que o ideário popular conseguiu enxergar representação e materialização de seus anseios.
Todavia, esse confronto por si só, não é capaz de criar uma conformação de forças que implique numa alteração da hegemonia estabelecida, contudo, pode representar a constituição de blocos mais nítidos, no sentido da construção do Bloco Histórico, definido no conceito gramsciano. Onde as classes se aglutinam em torno de interesses comuns na disputa pela hegemonia.

Por enquanto, o que fica é a impressão de que o País que vai às urnas tem dois conjuntos de forças com feições e interesses distintos, um popular-democrático e outro elitista-conservador.
Aos marxistas resta a tarefa de impulsionar a luta de ideias na perspectiva de construção de um novo Brasil, sem desigualdades sociais, regionais ou étnicas, um Brasil soberano e justo. Para isso é fundamental estabelecer o combate ideológico ao neoliberalismo nas suas mais variadas formas, arregimentando um grande número de forças que se identifiquem com um novo projeto desenvolvimentista, voltado ao atendimento dos anseios presentes e futuros da imensa maioria do povo e, que estejam dispostas a derrotar a hegemonia neoliberal.
Disputar a hegemonia política e ideológica na sociedade brasileira é imperativo para fazer avançar a luta de classes e a consciência em nosso País.

Leia a Parte I: Gramsci e a disputa política no Brasil

por Daniel Max,
é Sociólogo e Colunista do Blog.