Ceclin
set 22, 2012 0 Comentário


Guerra da luz divina

por Marco Maciel

Toda nação deve cultuar seus líderes e os fatos marcantes de sua história, sem o que não cria entre os nacionais o sentimento patriótico. O Livro dos heróis da pátria, de acordo com a Lei 11.597/07, destina-se ao registro perpétuo do nome dos brasileiros ou de grupos de brasileiros que tenham oferecido a vida à Pátria, para sua defesa e construção, com dedicação e heroísmo. A distinção só pode ser concedida no mínimo 50 anos depois da morte do homenageado.

No Livro dos heróis da pátria, constam grandes vultos da história brasileira, como Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, Marechal Deodoro da Fonseca, Zumbi dos Palmares, dom Pedro I, Duque de Caxias, Marquês de Tamandaré, José Bonifácio de Andrada e Silva, Almirante Barroso, Alberto Santos Dumont, e Frei Caneca.

Nada mais justo, portanto, que, por seus inequívocos méritos, incluíssemos os líderes da Insurreição Pernambucana contra o domínio holandês (1624-1654) neste elenco de personalidades que marcaram momentos distintos de nossa rica trajetória histórica.

Daí porque, como senador por Pernambuco, apresentei ainda em 2009, projeto de lei com esse objetivo e que agora, após receber a sanção presidencial, transformou-se na Lei 12.701. A Insurreição Pernambucana, também conhecida como Guerra da Luz Divina, ocorreu no contexto da segunda das invasões holandesas no Brasil, culminando com sua expulsão do Nordeste. Os principais chefes militares do movimento de restauração de Pernambuco foram o general Francisco Barreto de Menezes, os senhores de engenho João Fernandes Vieira e André Vidal de Negreiros, o africano Henrique Dias, o indígena Filipe Camarão, e Antônio Dias Cardoso.

Para o povo pernambucano, e nordestino, poder homenagear ilustres brasileiros que contribuíram para a unidade nacional e que, em sua época, participaram do fortalecimento de nossa nascente Nação é motivo de jubilo e reitera nossa visão de brasilidade. Devemos porém ter sempre presente que, como bem salientou Carlo Lévi, o futuro tem um coração antigo. Não basta exaltar as glórias do passado, representado nos Montes dos Guararapes, berço da nacionalidade. A história é um compromisso do presente na busca da construção do futuro. E é por isso que o passado de Pernambuco faz crescer a responsabilidade daqueles que assumem a tarefa de construir o seu porvir.

Não permita Deus que nos cansemos de nosso esforço. Não permita Deus que nos satisfaçamos de nossas conquistas. Nossa luta exige superação permanente de nossos limites. Nossa luta exige procura permanente de novos caminhos e de mais amplos horizontes.

 

Marco Maciel é membro da Academia Brasileira de Letras.