Ceclin
jul 29, 2009 3 Comentários


Greves e salários debatidos na Mesa Redonda

A Mesa Redonda do Programa A VOZ DA VITÓRIA, realizado na sexta-feira (24)pela Rádio Tabocas FM (98,5) no início da tarde tratou como tema: “Política Salarial do Servidor Público Estadual”.

Debatido com a participação de Pérpetua Rodrigues, Presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Área de Saúde em Pernambuco (SINDSAÚDE), de Wilson Macedo, Secretário de Finanças do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (SINTEPE), e Nivaldo de Oliveira Júnior, Presidente da Associação dos Agentes Penitenciários do Estado de Pernambuco.

Coordenado pelo apresentador Lissandro Nascimento que inicialmente abordou sobre a motivação e a sustentabilidade da greve. Segundo Wilson Macedo o movimento grevista vem ocorrendo por uma única razão, a falta de diálogo por parte do Governo “que tem como linha ameaçar e pressionar os servidores, coisa que nem no período pós ditadura se via igual”, afirmou.

Quanto às reinvidicações, Wilson contou que está sendo exigido é o que se cumpra o acordo que foi feito no ano passado por parte do próprio governo. “O que a categoria pleiteia é o pagamento do aumento previsto em Lei do Piso. No ano passado o Piso salarial foi fixado em R$ 950,00 com reajuste anuais no mês de Janeiro a partir de 2009, o que não foi concretizado”, lamentou.

Apesar de receber os 19,2% de acréscimo em seu orçamento (FUNDEB) o governo não repassa e nem reconhece o mesmo, que segundo ele, tem causado o impasse entre a categoria. Sobre as ações de valorização veiculadas pelo governo estadual, Wilson Macedo falou que “não é dando um computador que se resolve os problemas. Do que adianta o professor ter um computador e não ter dinheiro para colocar Internet; estas premiações são coisas passageiras que ele oferece hoje e depois não tem mais. O que os professores precisam é de valorização na sua carreira profissional. O que há é uma política de compensação”, reforçou.
Ao ser indagado sobre a tentativa do governo de enfraquecer o movimento, ele foi enfático ao dizer que “apesar de ser um governo de esquerda, com essa atitude radical e opressora está se portando de uma maneira que nenhum governo dito de direita tomou até hoje”, frisou. “Tomando medidas opressoras como contratar professores substitutos para algumas escolas. São medidas contraditórias, tem dinheiro para pagar substitutos e não tem dinheiro para cumprir um acordo anterior. Apesar dessas medidas a categoria vem resistindo bem. Na última quarta-feira fizemos uma mobilização e colocamos mais de 4000 pessoas na rua”, contou.

“Quanto a desculpa da crise sabemos que o nosso presidente Lula tomou medidas preventivas no Brasil e os efeitos da crise foram menores em nosso País. Quanto a Pernambuco, como o próprio governo alardeia na mídia, o PIB de Pernambuco foi o que mais cresceu no Brasil por tanta verba que tem sido assegurada e vale salientar que o salário dos professores de nível superior de Pernambuco é o salário mais baixo do Brasil. Existe um Estado economicamente menor que Pernambuco e paga salários maiores”, comparou. “Os trabalhadores não podem ser penalizados com essa crise”, salientou.

Por telefone, Pérpetua Rodrigues afirmou que houve um acordo Sobre o Piso Salarial e o Plano de Cargos e Carreiras, marcados para serem discutidos a partir de Outubro, com a conclusão do balanço financeiro das contas públicas. Segundo ainda comentou serão instaladas comissões para discutir revisão de produtividade, abertura de concurso público e melhores condições de trabalho dos servidores. “Estamos abrindo uma pauta de debate para vermos a situação dos salários neste quadrimestre, com destaque para ter uma posição final do Governo agora em setembro; a questão da abertura de Concurso Público, condições de trabalho, a produtividade do SUS e a Revisão da Lei de Produtividade. Outro ponto é a Avaliação de Desempenho”, esclareceu.

“A esperança dos servidores da Saúde é a de que com a conclusão dos três hospitais diminuam o fluxo de pacientes nas grandes emergências, melhorando assim o tratamento oferecido aos pacientes. Espera-se também que se façam as reformas necessárias nas demais unidades de Saúde do Estado para melhorar o atendimento e as condições de trabalho”, salientou.
“A nossa categoria não é como as outras. Trabalhamos com a saúde e o bem estar de seres humanos e não podemos nos dar ao direito de prolongar a greve por muito tempo, por isso, demos um voto de confiança ao governo estadual e vamos esperar que ele cumpra sua parte”, ressaltou.

De acordo com o Sindsaúde, os servidores continuam em estado de greve até Setembro. “Se até lá o Governo não cumprir com o que assinou, voltaremos à greve, mas esperamos que isso não precise acontecer, o que vai depender da administração”, disse Perpétua Rodrigues, coordenadora do Sindicato.

Participando também por telefone Nivaldo de Oliveira Júnior, Presidente da Associação dos Agentes Penitenciários do Estado de Pernambuco, declarou que qualquer categoria que entra em um processo de greve passa momentos delicados e quando não há sinal de flexibilização pelas partes envolvidas fica mais difícil.
Segundo Nivaldo, o ideal seria governo e as categorias em greve procurassem ser o mais objetivo possível para que tudo se resolvesse de maneira rápida e com o menor desgaste. Ao ser indagado sobre a pauta de reivindicações de sua categoria, ele disse que está otimista que o governo sinalize para uma boa solução em relação aos presídios do Estado. “Quanto as condições de trabalho houveram mudanças tímidas e a categoria ainda sofre com falta de efetivo e o sistema ainda está lento, demorando em resolver as questões judiciais do detento, causando assim superlotação no sistema”, frisou.

Segundo Nivaldo a intervenção principal que o governo precisa fazer é a qualificação dos servidores. “Pois, qualquer política social só será bem sucedida se houver servidores qualificados com boas condições de trabalho e um salário digno para que ele possa exercer suas tarefas sem outras preocupações”, pontuou.

Finalizando o debate Wilson Macedo reiterou seu desejo de reabrir as negociações e disse está admirado, porque até agora, o Secretário de Educação Danilo Cabral não apareceu para ajudar nas negociações. “Apesar de ser o responsável pela Pasta, ele está sendo preservado pelo governo que deixou o Paulo Câmara (Secretário de Administração) à frente das negociações”, provocou.
A respeito do movimento grevista, o SINTEPE está aberto às negociações. “Reabrimos um canal para um diálogo a fim de chegarmos ao final desse impasse. Temos que chegar a um denominador comum para que se chegue ao fim deste desgastante processo”.

Para o Prof. Macedo, “não existe uma política salarial permanente e nem efetiva aos Servidores do Estado. Há uma completa ausência na consistência dessa pauta na Mesa conjunta de negociação”, refletiu.

Apresentação: Lissandro Nascimento.

Produção: Jáder Siqueira, Orlando Leite e Cláudio Gomes.

Equipe: Felipe França, Genilda Alves.

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