Ceclin
mar 24, 2009 0 Comentário


Gravatá ganha reserva particular de preservação

Publicado em 24.03.2009

Propriedade rural com 101,58 hectares recebe título da CPRH amanhã e será cartão de visita de um empreendimento ecoturístico que inclui chalés, parque aquático, pista para off-road e até teleférico

A preservação, vista por muitos empresários como um empecilho para o desenvolvimento, pode tornar-se um bom negócio. É o caso de propriedade rural com 101,58 hectares em Gravatá, a 85 quilômetros do Recife, que amanhã recebe título de reserva particular. O local será cartão de visita de um empreendimento ecoturístico.
A estratégia de marketing é da PKF Empreendimentos Turísticos Ltda., ligada à Multiconsultoria. A empresa, criada especialmente para gerenciar o projeto, pretende implantar no local o complexo de turismo ecológico Karawa-tã. Serão construídos chalés, parque aquático, pista para off-road e até um teleférico.
A reserva particular compõe o projeto paisagístico do complexo, que está na fase de captação de recursos. Além dos 101,58 hectares que serão transformados em unidade de conservação, a empresa possui outros 106 hectares. O título será concedido pela Agência Pernambucana de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (CPRH), em solenidade pela manhã na sede do complexo ecoturístico, a 200 metros da BR-232.
Essa é a oitava Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) criada pela CPRH. E a segunda no domínio da caatinga. A primeira – Pedra do Cachorro, com 18 hectares – fica em São Caetano e recebeu o título em 2002. Para a diretora de Recursos Florestais e Biodiversidade da agência, Maria Lúcia Costa Lima, a criação da reserva não apenas contribui para a conservação da caatinga, como também é um exemplo para que outros proprietários façam o mesmo.
Ecoturismo, pesquisa e educação ambiental, explica ela, são atividades compatíveis com uma reserva particular. “Por isso, é possível conciliar conservação e desenvolvimento”, afirma Maria Lúcia.
O representante da PKF Felipe Silva explica que o primeiro pedaço da propriedade foi adquirido há 15 anos e se resumia a uma plantação de abacaxi. “Eram 20 hectares. Depois os donos fizeram outras três compras, aumentando a área para os 200 hectares”, revela o rapaz, que é do Instituto Monitore, também ligado à Multiconsultoria.
Para ser transformada em RPPN, uma área precisa ter reconhecida pela CPRH sua beleza paisagística. Segundo a agência, Karawa-tã tem também outro atributo: a biodiversidade. Foram catalogadas espécies da flora local como juazeiro, algaroba, aroeira, baraúna e angico. Os técnicos encontraram ainda mamíferos como raposa, tatu e guará (cachorro do mato), além de répteis e aves próprias características da caatinga.
A titulação da RPPN Karawa-tã faz parte das comemorações do Dia Mundial da Água, celebrado em vários países no último domingo. Hoje, às 9h30, será apresentado o Mapa da Qualidade das Águas Superficiais de Pernambuco, e às 14h30 haverá palestra sobre a qualidade da água nos reservatórios de Bita e Utinga. Os eventos, abertos ao público, ocorrem no auditório da CPRH.
(Jornal do Commercio).