Ceclin
maio 26, 2010 0 Comentário


Governo inicia guerra ao crack

ALEXANDRE FERREIRA

INFORMAÇÃO foi revelada ontem pelo secretário Wilson Damázio, em visita à Folha

A contratação de 2,1 mil policiais militares, o aumento do número de blitze, a descentralização do serviço de inteligência da Polícia Civil com o aumento de efetivo, o maior incremento das operações junto aos diversos pontos de venda da droga, além de uma parceria com a Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e órgãos de segurança dos demais estados nordestinos, serão as armas usadas pelo Governo do Estado na guerra contra o tráfico de crack em Pernambuco.

As ações estão previstas no Plano de Ações Integradas de Enfrentamento ao Crack, que será anunciado hoje pelo governador Eduardo Campos, em solenidade no Palácio do Campo das Princesas. Com a implementação do Plano, o Governo pretende reduzir consideravelmente o número de homicídios em Pernambuco. Hoje, a droga é uma das maiores causas de assassinatos no Estado.

“O combate ao crack e a redução do tráfico e uso desta droga terá uma repercussão positiva imediata na diminuição do número de homicídios. É importante destacar que o Plano irá integrar outras secretarias que irão promover ações preventivas de combate a droga”, destacou o secretário de Defesa Social, Wilson Damázio, que visitou a Folha de Pernambuco, na tarde de ontem, acompanhado pela cúpula da segurança pública pernambucana. A prevenção ao uso da droga e o tratamento e reinserção social dos usuários ficarão a cargo das secretarias de Saúde e de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos.

Com o aumento da produção da pasta-base de coca, usada para a fabricação do crack, em países da América do Sul, o consumo da droga aumentou no Brasil a ponto de ser vista como uma epidemia. A Polícia Federal já constatou que 95% do crack entra no País por estradas.

A parceria com a Polícia Federal, Rodoviária Federal e órgãos de segurança dos demais estados nordestinos visa interceptar os grandes traficantes da droga nas estradas e fronteiras pernambucanas antes que o crack chegue nos pontos de venda espalhados por todo Estado. “Iremos trocar informações com os serviços de inteligência desses outros órgãos e tentar abordar os traficantes enquanto eles estiverem entrando em Pernambuco”, sublinhou Damázio.

O aumento de blitze, o incremento das operações para debelar os pequenos pontos de venda da droga e a descentralização do Serviço de Inteligência da Polícia Civil, que hoje está concentrada na Região Metropolitana, para as 26 Áreas de Segurança do Estado, são ações que estão necessariamente ligadas ao aumento de efetivo das polícias Militar e Civil.

No próximo mês de julho, 2,1 mil policiais militares deverão iniciar o curso de preparação da PM. Serão esses policiais que deverão trabalhar nas blitze nas estradas e nas abordagens aos pequenos e médios traficantes dos pontos de vendas pulverizados por todo o Estado.

Para conseguir a descentralização do Serviço de Inteligência da Polícia Civil, o Governo também deverá convocar novos policiais. Atualmente, ainda existem 900 agentes de polícia e 600 comissários selecionados no concurso realizado em 2006, que ainda podem ser chamados a trabalhar. “O trabalho de inteligência e de repressão são primordiais para obtermos sucesso. Mas não se pode falar em aumento de efetivo sem contratações. Iremos levar a demanda existente para o governador”, disse Damázio.
(Folha de Pernambuco).