Ceclin
abr 04, 2022 0 Comentário


Governo Federal se nega a abrir negociação e servidor se mobiliza para greve

O Governo Bolsonaro não quer negociar com os servidores públicos federais. Desde o último mês de janeiro que os funcionários públicos iniciaram a sua campanha salarial 2022, mas não houve nenhum avanço. Durante os últimos meses, depois de vários atos de rua, reuniões no Congresso Nacional e postagens nas redes sociais para pressionar pela negociação, os representantes dos servidores conseguiram ter apenas duas reuniões. Na primeira, foi dito que não haveria negociação em torno da reposição inflacionária dos salários. Na segunda, que não haveria abertura de um processo de negociação.

“Um desrespeito enorme com os trabalhadores do setor público. Só existe um Estado de bem estar social, só existem políticas públicas, porque os servidores saem de casa diariamente para fazer este País funcionar. O que nos resta é continuar fortalecendo o processo de mobilização e intensificando a greve”, destacou o coordenador-geral do Sindicato dos Servidores Públicos Federais de Pernambuco – Sindsep-PE, José Carlos de Oliveira.

Na primeira reunião que os servidores tiveram com representantes do Ministério da Economia, no dia 22 de março, foi dito que o governo daria uma resposta a sua pauta no dia 1º de abril. Nada mais significativo vindo do governo Bolsonaro, já que o dia 1º de abril é o dia da mentira. Na reunião da última sexta, o governo afirmou que dará uma resposta no dia 2 de junho. “Eles acham que conseguirão nos enganar. Mas não somos tão inocentes assim. Deste governo, os servidores públicos só tiveram o pior. Por isso, precisamos nos unir e partir para uma mobilização de greve ainda maior”, comentou José Carlos.

Os servidores pedem uma reposição salarial de 19,99%, referente a perdas acumuladas em três anos de inflação deste governo, além da revogação da Emenda Constitucional 95, que congelou os investimentos públicos por 20 anos, e o arquivamento da proposta da reforma Administrativa (PEC-32). O governo alega não ter recursos, mas destinou R$ 37,6 bilhões para emendas parlamentares, dos quais R$ 16,5 bilhões são do “orçamento secreto”, além de R$ 2 trilhões para pagar os juros da dívida pública.

“Não gostamos de greve. Quando iniciamos uma campanha salarial o nosso objetivo é o de negociar e resolver tudo da forma mais tranquila possível. Mas este governo não está nos dando outra opção. Aí, além de nos prejudicar, prejudica toda a população que necessita de serviços públicos”, disse o secretário-geral do Sindicato, Felipe Pereira.

Negociação

Já faz mais de cinco anos que os servidores não participam de um processo de negociação. O último reajuste salarial aconteceu durante o governo da presidenta Dilma Rousseff (PT). Na época, foi concedido um aumento de cerca de 10,8% para várias carreiras de servidores civis federais, parcelado ao longo de dois anos (2016 a 2017).

O coordenador-geral do Sindsep, José Carlos Oliveira, lembra que durante os governos do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff passou a existir uma mesa permanente de negociação. Eram mesas de negociação por segmentos e por órgãos federais. Os diálogos constantes foram responsáveis pelo fechamento de vários acordos celebrados pelos representantes dos trabalhadores, relacionados a reajuste salarial, melhoria de infraestrutura e concursos públicos.

Em época de campanha salarial, existiam reuniões diárias. Muitas delas, durante um dia todo. Os servidores chegavam pela manhã e saiam à noite. Assim, conseguiram resgatar o seu poder aquisitivo e aumentar a força de trabalho com a contratação de 250 mil concursados, durante os governos do PT.

Assembleias

Os representantes do Sindsep já estão no Sertão Pernambucano, onde farão uma série de assembleias para mobilizar a base visando ampliar o movimento grevista. Nesta segunda (04.04), foi realizada uma assembleia (foto) e visitas a órgãos, em Petrolina. Amanhã, o Sindsep dará continuidade às visitas.

Na quarta-feira, às 8h30, será realizada uma assembleia no Polo das Endemias, em Ouricuri. Na quarta, às 14h30, os diretores do Sindsep estarão no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Salgueiro, localizado na rua Cel. Manoel de Sá, 273 – Santo Antônio (próximo à praça da Catedral).

Quinta-feira, às 9h, será a vez de Serra Talhada. A assembleia ocorrerá na XI Geres. E na quinta, às 14h, outro encontro. Dessa vez no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Custódia. Na sexta-feira, às 8h30, uma nova assembleia em São José do Egito. Os servidores se encontrarão no colégio estadual Edson Simões, na rua Marechal Rondon, centro.

Em seguida, os representantes do Sindsep farão reuniões em cidades de outras regiões do Estado.