Ceclin
dez 22, 2009 7 Comentários


Governador une PSB e DEM em seu palanque

Filiado ao DEM, o prefeito de Vitória, Elias Lira, recebe Eduardo Campos dividindo o palanque com o adversário José Aglaílson (PSB). E admite que, em 2010, pode aderir ao palanque da reeleição

Cecília Ramos
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VITÓRIA DE SANTO ANTÃO – Ao mesmo tempo em que experimentou, ontem, uma prévia da briga política dentro da sua base eleitoral em 2010, o governador Eduardo Campos (PSB) também voltou a sentir o poder de atração da máquina. Ao comandar dois eventos neste município da Zona da Mata – inauguração do Ciretrans e entrega de 458 casas, ao lado do secretário das Cidades, Humberto Costa-PT) –, Eduardo precisou pregar o discurso da “não agressão” e pedir silêncio às claques que transformaram os dois atos em comício relâmpago.
Mas também gostou de ter ouvido, de público, a “gratidão” do prefeito de Vitória, Elias Lira (DEM), ligado ao senador Marco Maciel (DEM). À imprensa, Lira, cujo vice é Henrique Queiroz Filho (PR), admitiu que pode aderir à base, mas que vai procurar seu grupo político para uma conversa.

“Posso até votar nele (Eduardo, em 2010). Não vou confirmar que sim ou que não, agora. Não serei covarde com eles (DEM). Vamos conversar para ver como vou administrar essa coisa”.

Já no discurso, em meio a vaias e aplausos, Elias Lira acabou dizendo que “não seria hipócrita” em negar o apoio que sua cidade tem recebido do atual governador. “Não adianta me provocarem. Eu sei o que tem que ser dito e tem que ser feito. Tem que respeitar o governo Lula e o governo Eduardo”. E
lias Lira derrotou, na eleição de 2008, o grupo do então prefeito José Aglaílson (agora de volta ao PSB) que tentou fazer o então vice, Demétrius (Dedé, do PSB) sucessor por uma diferença de pouco mais de 200 votos. Os dois Aglaílson (O pai, ex-prefeito e ex-deputado estadual, e o filho, atual deputado estadual) estavam presentes ontem.

Eduardo teve, então, que administrar o palanque pesado. Aglaílson vota com a mãe do governador, a deputada federal Ana Arraes (PSB). Enquanto Elias Lira apoia o deputado Henrique Queiroz (PR). Nos dois discursos, Eduardo repetiu que não estava ali para “alimentar as velhas brigas políticas”.
E avisou: “Ninguém conte comigo para atos que não ajudam a vida dos que não têm partido, não disputam eleição, mas que são gente como nós e querem que a vida pública seja feita na disputa do voto e com largueza”. No mais, Eduardo repetiu que seu “governo esta fazendo o possível e impossível” como nunca antes na história do Estado.

SAIA JUSTA

De Vitória, Eduardo seguiu para Caruaru, onde inaugurou a primeira etapa do gasoduto Recife-Caruaru. Desta vez, estava ao lado apenas de aliados (e aliados entre si). O prefeito da cidade, José Queiroz (PDT), empolgou-se tanto que soltou a pérola: “Governador, o senhor não quer antecipar 2010, mas só faltam onze dias. Já podia anunciar que vamos continuar lutando por Pernambuco”.
Eduardo ignorou a aclamação e, ao discursar, manteve a disciplina trabalhada no autoelogio. Elencou seus feitos, mostrando que vem por aí uma eleição baseada na comparação com os antecessores. “Aos olhos dos descrentes, quem podia dizer que fizemos tantas obras em um só tempo?”.

(Jornal do Commercio).