• Ceclin
jan 12, 2015 0 Comentário


Galileia comemora os 60 anos das Ligas Camponesas que nasceu em Vitória de Santo Antão

Zito de Galileia -Ligas 2015Representantes de movimentos sociais, estudantes e familiares de líderes da primeira Liga Camponesa no Brasil lançaram na manhã do domingo (11/01)  uma carta pedindo  a construção do Memorial das Ligas Camponesas do Brasil Francisco Julião no Engenho Galileia, em Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata. O documento foi apresentado durante a comemoração dos 60 anos do movimento pela Reforma  Agrária no Brasil. O ato foi marcado pela defesa de melhorias na distribuição de terras no País.

O evento, que ocorreu no mesmo local onde foi realizada a primeira reunião da Liga, em 1955, também marcou o centenário de nascimento de Francisco Julião, importante articulador na busca pela reforma agrária. Filho do líder político, Anacaleto Julião destacou que é preciso mais agilidade dos governantes na discussão sobre o tema. Segundo ele houve uma diminuição na distribuição de terras nos últimos anos. “É preciso envolver todos os atores sociais na luta pela reforma  agrária para que  ela tenha mais agilidade”, afirmou. Julião foi um dos organizadores do evento. Ele foi responsável pela leitura da carta que pede a construção do memorial nas terras do Engenho Galiléia. Segundo ele, é preciso valorizar a história do local, onde atualmente moram 313 famílias numa área de mais de 550 hectares.

O evento marcou a inauguração da Biblioteca José Ayres dos Prazeres. Fotos: Blog do Cristiano Pilako.

O evento marcou a inauguração da Biblioteca José Ayres dos Prazeres. Fotos: Blog do Cristiano Pilako.

Morador do Engenho Galileia, o aposentado Cícero Anastácio, 81 anos, participou das comemorações dos 60 anos da Liga Camponesa. Ele integrou o movimento desde a primeira reunião. “Foi uma luta que valeu a pena porque hoje todos temos seus direitos como trabalhador, seu salário, sua aposentadoria. Antes a gente trabalhava para ter direito a um pouco de comida. Esse tempo passou”, disse Cícero, que gostava de atuar nos bastidores da Liga Camponesa.

Em seu depoimento, ele lembrou  as dificuldades enfrentadas pelo trabalhador do campo antes do movimento. O evento ainda foi marcado pela inauguração da Biblioteca José Ayres dos Prazeres, que foi uma das bandeiras defendidas pelo morador Zito da Galileia. Neto de Zezé da Galileia, integrante da Liga, Zito voltou ao Estado em 2001 e desde então buscou a construção do espaço.  A biblioteca é uma homenagem  ao líder José dos Prazeres, que foi preso na ditadura militar.

Emocionada, a filha dele, Josinalda Prazeres, também participou do evento comemorativo. “A minha luta é pelo reconhecimento do meu pai, pelo que ele foi. Não existe menção ao trabalho que ele fez na  luta pela reforma agrária. Vou continuar lutando por isso”, disse.

Do Jornal do Commercio