Ceclin
jul 22, 2010 0 Comentário


Frágeis e vulneráveis


Diario Urbano
Diário de Pernambuco

O roubo do quadro O enterro, de Cândido Portinari, acendeu mais uma vez o alerta sobre o perigo a que está exposto o patrimônio artístico de Pernambuco, principalmente porque algumas providências só acontecem depois do leite derramado e enquanto os holofotes estão acesos sobre o “defunto fresquinho”.
Com um furto praticado nas barbas de todos e facilitado pela vigilância frouxa no MAC-PE, os que lamentaram o sumiço da tela puseram-se a imaginar o óbvio: se a ousadia não tem tamanho na área urbana, o que dizer dos (bem mais) frágeis e vulneravéis museus e instituições do interior, já ameaçados pela falta de recursos e de atenção dos governos? Em defesa deles só resta, então, o trabalho de abnegados.

De máquina em punho, o jornalista Marcus Prado transformou em obsessão a tarefa de registrar os acervos em cidades como Gravatá, Vitória de Santo Antão, Igarassu, Paulista, Recife e Olinda, com medo de que o crime, no terreno das artes plásticas, continue compensando.

Basta lembrar que as peças são levadas e quasenunca recuperadas, como é o caso de um Santo Antão em terracota, uma das imagens mais antigas de Pernambuco, do século 17, trazida pelo fundador da cidade (Diogo de Braga). Passados mais de dez anos, a relíquia sacra continua desaparecida.

O próprio fotógrafo, vitoriense da gema, chegou a oferecer recompensa de R$ 5 mil a quem desse informação confiável sobre a peça.

Daqui a mais um pouco, se Fundarpe e prefeituras não abrir os olhos, as populações, ao invés de ver as obras ao vivo, só vão encontrá-las em livros. Mesmo assim porque, diante do descaso, alguém que ama arte resolveu eternizar as imagens do acervo.
Ao menos assim, no futuro, vai ser possível medir o tamanho da omissão e da insensibilidade dos gestores da riqueza pública.

Bolsos vazios

A artilharia do Sindicato dos Médicos de Pernambuco agora vai se voltar para a situação dos profissionais que trabalham na rede de saúde de Vitória de Santo Antão.

Numa reunião, terça-feira, o Simepe convocou os associados para a tarefa de discutir as pedras no sapato e os bolsos vazios dos médicos do município.