Ceclin
out 29, 2020 0 Comentário


“As forças do atraso de Vitória terão grande frustração quando sair o resultado das urnas”, prevê Tomé Ferraz do PT

por Lissandro Nascimento

Participando de todas as disputas eleitorais desde a década de 1990 o Partido dos Trabalhadores (PT) da Vitória de Santo Antão concorre pela quarta vez com uma candidatura própria na disputa a Prefeitura Municipal, desde então, também já integrou ao longo desse período por duas vezes candidaturas a vice-prefeito. Em 2020, o Engenheiro Civil e Professor Tomé Sudário Gomes Ferraz dos Santos, de 63 anos, segue em faixa própria levantando à bandeira petista ao lado de sua candidata a vice a Professora Clícia Roberta de França, 51 anos, os quais foram entrevistados pelo  Blog do Cristiano Pilako na noite da quarta-feira (28/10). As sabatinas encerram nesta quinta, 29 de outubro, com o candidato do Cidadania em um iniciativa promovida pelo vitoriense Blog do Pilako com os candidatos a Prefeito e Vice da Vitória, através de live’s via canal do seu Youtube.

Tomé Ferraz é formado em Engenharia Civil pela Unicap e Mestre em Matemática e Física pela PUC – SP, divorciado, pai de três filhos, sempre militou no campo das Esquerdas. Ele lecionou em diversas escolas de Pernambuco e de São Paulo, sendo um dos fundadores do antigo Colégio e Curso Butantã e hoje é aposentado da rede pública de ensino em São Paulo. Essa é a segunda vez que Ferraz concorre ao cargo de prefeito. Ele disputou pelo PSB a Prefeitura de Vitória em 1988 e concorreu ao cargo de Deputado Federal em 1990, ficando na suplência.

Tomé organizou ao lado do saudoso sindicalista Manoel Santos a grande caravana do Interior que recepcionou em Recife o líder político Miguel Arraes em seu retorno ao Brasil durante a Anistia Política. Ele também organizou ao lado do vitoriense Alemão um grande comício em 1984 na Praça Duque de Caxias em defesa das Diretas Já no País. Atualmente completa seu mandato como um dos diretores da CUT – Nacional. “Alguns pensam que sou radical politicamente. Mas quem me conhece sabe que sou um homem de dialogo e entusiasta do debate democrático. Lógico que temos princípios políticos natos que não abrimos mão e os prezo em minha vida”, se auto-avaliou o candidato a prefeito.

Por sua vez, a Professora Clícia Roberta é formada em Direito pela Unifacol, além de lecionar Letras/Português. Viúva e mãe de duas filhas, ela é servidora aposentada da rede estadual de ensino. A candidata a vice atuou nos movimentos sociais e religiosos desde jovem, a exemplo da Juventude Operária Católica (JOC) e disputou por duas vezes uma vaga na Câmara de Vitória. Atualmente é coordenadora Regional do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe). “Em toda minha militância nunca quis assumir cargos públicos. Prezo pela minha coerência política e abdico de títulos. Prefiro dar minha contribuição nas lutas sociais e sindicais. Hoje estou candidata junto com Tomé para deixar um exemplo a minha família, defender a bandeira da classe trabalhadora e contribuir para que Vitória se liberte das forças políticas do atraso”, justificou a Professora.

A chapa Tomé-Clícia apresentou durante a sabatina seu programa de governo para a Prefeitura de Vitória. Eles defendem como carro-chefe a implantação do Orçamento Participativo (OP). O petista justificou que o Plano de Governo registrado no TRE-PE contém 13 tópicos sintetizados, porém existe outro documento auxiliar composto por 23 páginas que vem sendo debatido com diversos sindicatos, movimentos sociais, artistas e profissionais liberais vitorienses. “A OP permite que as comunidades possam opinar aonde os recursos públicos devem ser aplicados. Tal iniciativa já é uma marca das gestões do PT e em Vitória queremos tornar um grande instrumento de fortalecimento social”, defendeu Tomé.

Os candidatos do PT defendem ainda a implantação do Passe Livre para os estudantes, idosos e deficientes físicos ter acesso gratuito ao transporte coletivo municipal, bem como o Bilhete Único para ajudar na modernização da frota. “Todo o sistema público de transporte precisa ser reformulado. Como prefeito pretendo criar a Secretaria Municipal de Transportes que cuidará de novas licitações/concessões de linhas urbanas que atendam com ônibus novos e assegure a acessibilidade, tudo isso atrelado ao trânsito vitoriense que será repensado, inclusive com linha circular, a fim de atender aos novos desafios postos a cidade que nos tornamos”, explicou o Professor.

A chapa do PT propõe construir as Clínicas Geriátrica (idosos) e a Cardiológica, além de criar esforços técnicos e de recursos para a construção de um hospital público municipal. “Essas ações atenderão uma necessidade local, na medida em que nós vitorienses não temos de imediato atendimento adequado em saúde. O Hospital João Murilo precisa continuar a se fortalecer para o atendimento de média complexidade, e o Município precisa gerir esforços para desafogar aquela unidade, ampliando os serviços ofertados pelo SUS. O fato é que há um desleixo na prestação de saúde ao cidadão vitoriense”, destacou Tomé sem deixar evidente aonde buscará recursos para tanto. “É um absurdo que os recursos que foram utilizados nos últimos anos para a UPA 24h em Vitória e agora o que vemos é um serviço básico de prevenção. Cabe dizer ainda que seja vergonhosa para a cidade a dependência em que estamos dos serviços de ambulâncias. Um Município que se arrecada tanto em impostos não consegue resolver problemas básicos em atendimento de urgência”, lamentou Clícia.

Na parte da Cultura, ambos destacam a implantação de um Centro Cultural e a construção de um Teatro Municipal, revitalizando inclusive a antiga Estação Ferroviária, bem como definir formas de utilizar os mercados públicos para suas reformas.

No setor educacional, os professores candidatos firmaram o compromisso de que na futura gestão o educador vitoriense terá tratamento diferenciado. “Temos compromisso real com a Educação”, crivaram, e ainda propuseram informatizar todas as escolas do Município. Ambos lamentaram que o tratamento da atual gestão com o educador é de forte desgaste. Os educadores candidatos prometem implantar o Plano Municipal pela Primeira Infância (PMPI) que engloba Creches e unidades de ensino ao modo integral, além da construção do Centro Educacional Unificado (CEU), onde o Distrito de Pirituba será o primeiro a ser equipado com este equipamento público, além de implantação da unidade odontológica.

“Vitória cresce desordenadamente em sua área urbana e sem respeitar regras básicas do meio-ambiente, a exemplo da arborização. Não há espaços de lazer na periferia, não se tem uma praça decente para a convivência social e nem equipamentos públicos para a prática esportiva. Por essas e outras avalio o atual prefeito com a nota 3,5!”, analisou a professora, mesma nota dada por Tomé.

A Professora Clícia Roberta fez questão sair em defesa do legado social deixado pelos governos Lula e Dilma, aproveitando para registrar que Vitória foi contemplada com as gestões petistas. “Cabe afirmar que o PT garantiu inúmeras conquistas ao povo vitoriense. A ampliação do nosso Parque Industrial, o fortalecimento do pólo universitário, conjuntos habitacionais e assistência social, são dentre muitas outras as nossas conquistas”, elencou.

“É importante deixar claro para aqueles que não gostam do PT que pelo menos reconheçam esses avanços. Eu e Tomé não somos políticos tradicionais, temos seriedade e caráter, não nos confundam com ofensas descabidas. Nós não compactuamos com essa monarquia hereditária que há décadas ocorre em Vitória e que preza pelo filhotismo político, de um parente passando o poder para outro. Precisamos devolver o Poder ao povo vitoriense, pois a sigla VSA – Vitória Sociedade Anônima – deve ser abolida. As eleições de 15 de novembro teremos essa oportunidade de salvar Vitória de Santo Antão desses grupos políticos que tratam a cidade como objeto de seus lucros”, vaticinou Clícia Roberta.

Para a Câmara de Vitória, o PT apresenta nove candidatos a vereador. Os nomes mais conhecidos são do comerciante Almir Correia, o advogado Jairo Medeiros, e os professores Franklin Ferreira e Etiene França.

Por fim, Tomé Ferraz se solidarizou com as famílias das 157 vítimas até o momento da Covid-19 em Vitória e avalia que a pandemia no Brasil poderia ser minimizada, caso segundo ele, o governo Bolsonaro não praticasse a NECROPOLÍTICA, batizou.

Ferraz finalizou lembrando aos eleitores vitorienses da responsabilidade com o futuro das gerações e fez um alerta. “Não considero que esses pólos que disputam a Prefeitura de Vitória já são eleitos. Por onde andamos em campanha na cidade constatamos um movimento silencioso a essas forças do atraso e eles terão uma grande frustração quando a Justiça Eleitoral divulgar o resultado das urnas”, previu.