Ceclin
out 15, 2009 1 Comentário


Fome atinge mais de 1 bilhão



Publicado em 15.10.2009

Relatório da agência da ONU apontou que, desde o ano passado, número de famintos aumentou em 100 milhões por causa da crise econômica mundial
GENEBRA – Um brasileiro consome por dia em média o dobro de calorias que vários cidadãos em países africanos. Mas ainda tem uma alimentação inferior à de um cubano. Os dados fazem parte do relatório da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) sobre a fome no mundo publicado ontem e revelam que, pela primeira vez, mais de 1 bilhão de pessoas passam fome todos os dias.
O número de famintos aumentou em 100 milhões desde o ano passado. Outro estudo divulgado ontem aponta que o Brasil foi um dos nove países que mais avançaram no combate à fome nos últimos 20 anos.


Para a ONU, a crise econômica expôs a fragilidade das redes de proteção social no mundo e fez a meta de reduzir pela metade o número de famintos até 2015 se tornar praticamente impossível. A conclusão é que os anos de 2008 e 2009 serão os primeiros em quatro décadas a registrar um aumento brusco da proporção de pessoas que passam fome.

A avaliação é feita no momento em que a FAO se prepara para sediar, em novembro, uma cúpula mundial sobre alimentação. Sessenta países já sofreram com protestos violentos contra a fome. Mais de 1,02 bilhão de pessoas não têm o que comer. A FAO iniciou o registro dos famintos em 1970 e nunca o número havia atingido esse patamar.



Se o número absoluto este ano é o maior já registrado, a proporção em relação à população mundial em 1969 era de 34%. Em 2004, essa taxa caiu para 16%. Mas hoje beira os 20%. “Ninguém ficou imune à crise. Mas foram os mais pobres que sofreram mais”, apontou o diretor da FAO, Jacques Diouf.

Segundo ele, a crise fez com que as remessas de imigrantes a seus países de origem sofressem uma queda, além do valor da ajuda das economias ricas aos países em desenvolvimento. O resultado foi a queda da renda.


O maior problema está na Ásia, com 642 milhões de famintos. Na África Subsaariana, são outros 265 milhões. Praticamente todo o problema da fome está nos países em desenvolvimento. Em todos os países ricos juntos, o número de famintos é de 15 milhões.

BOLSA FAMÍLIA

O Brasil, porém, conseguiu evitar o pior. Segundo a FAO, a ampliação do Bolsa Família de 10,6 milhões de famílias para 11,9 milhões, o aumento do salário mínimo em 12% (duas vezes mais que inflação), a ampliação do seguro-desemprego e o apoio ao pequeno agricultor foram essenciais. Isso ocorreu apenas porque o País teria espaço fiscal para adotar as medidas e conseguiu evitar que a tendência no restante do continente fosse repetida.



A FAO indica ainda que, no Brasil, o consumo diário de calorias é de 3.090. O montante é superior ao de todos os países sul-americanos, incluindo a Argentina. Mas o consumo em Cuba continua sendo superior, de 3,2 mil. O México também tem um consumo superior.

Os dados são de 2006, mas a entidade explica que são os mais atuais de que dispõe para todos os continentes. Já na África, alguns países registram um consumo diário que é a metade do montante do Brasil. São os casos da República Democrática do Congo (1,5 mil calorias), do Chade (1,9 mil), da Eritreia (1,5 mil), do Burundi (1,6 mil) e da Etiópia (1,8 mil).



Em outro estudo publicado pelo prestigioso Instituto Internacional de Pesquisas de Políticas de Alimentação, o Brasil aparece como um dos nove países que registraram o maior avanço no combate à fome desde 1990.

O índice é formado por três indicadores: proporção da população malnutrida, número de crianças abaixo do peso e mortalidade infantil. O Brasil conseguiu reduzir seu problema em 52,5%. A taxa da população que passa fome caiu de 10% para 6% em 20 anos.

(Jornal do Commercio).


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