• Ceclin
jun 02, 2008 1 Comentário


Falta de esgoto atinge 26,8% dos brasileiros

Pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada mostra que 34% das pessoas que vivem em áreas urbanas no País não contam com saneamento básico, ausente em 22% das cidades

Um estudo elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgado sexta-feira (30) aponta que 34,5 milhões de pessoas que residem em áreas urbanas do País não possuem coleta de esgoto. O número representa 26,8% dos moradores das cidades brasileiras.
O relatório, apresentado ontem durante o workshop Políticas Sociais e Saneamento Básico: as experiências brasileira e indiana, realizado em Brasília, foi feito pelos técnicos do Ipea a partir de informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A análise dos pesquisadores demonstra outros aspectos que incluem variáveis como raça, condições de habitação e diferenças regionais. A comparação de dados foi feita levando em consideração o período de 2001 a 2006, últimos dados disponíveis.
Nesse período, a chamada oferta de serviços de saneamento – que inclui, além do esgoto, a água e coleta de resíduos – avançou bastante nas regiões Norte e Nordeste do País. Apesar da evolução, o estudo ainda apresenta grandes desigualdades regionais.
Em 2001, 66,8% da população residente em áreas urbanas não tinham saneamento básico adequado no Norte. Esse número passou a 59,5% em 2006, numa retração de 7,3 pontos percentuais, a maior das regiões analisadas, mas ainda está longe do patamar alcançado pelo Sudeste, que detém apenas 10,7% da população residente em áreas urbanas sem esgoto.
O estudo indica que 91% das cidades brasileiras possuem água canalizada e em 97,1% das cidades existe coleta de lixo. O esgoto sanitário é a grande deficiência, pois é totalmente ausente em 22,2% dos municípios brasileiros.
Levando-se em consideração a variante de grupos de cor/raça em relação ao número de domicílios com saneamento básico adequado, as grandes desigualdades persistem. Apenas 18,7% dos classificados como brancos pelo IBGE não possuem saneamento básico adequado, enquanto 35,9% dos negros ou pardos não são assistidos pelo serviço, de acordo com os dados referentes a 2006.
SUPERLOTAÇÃO
A análise do Ipea mostra ainda que 13,2 milhões de pessoas no País se enquadram naquilo que o instituto considera superlotação de moradia. Ou seja, são obrigados a dividir um único quarto três ou mais pessoas. O adensamento excessivo recuou de forma mais acentuada no Centro-Oeste e no Norte, entretanto, as desigualdades, se comparadas a outras regiões do País, ainda são grandes.
O índice no Norte é de 15,1% dos moradores em centros urbanos e de 9,2% no Nordeste. O Sudeste vem logo atrás, com 8,5%, seguido do Centro-Oeste, com 7%. A melhor situação é a do Sul, onde apenas 4,5% da população residentes em domicílios localizados em áreas urbanas precisam dividir o mesmo quarto com três ou mais pessoas.
Ainda em relação a questões de moradia, o estudo indica que ao menos 5,1 milhões de pessoas no País comprometem pelo menos 30% de sua renda com aluguel, gasto considerado excessivo pelo Ipea. edição. (31.05.08 / Jornal do Commercio).