Ceclin
Maio 04, 2020 0 Comentário


Estudo identifica BR-101 e BR-232 como ‘caminhos’ de disseminação do coronavírus em Pernambuco

BR-232

Pesquisador da Fundaj, Neison Freire explica que Recife é epicentro da doença em PE, com influência em estados vizinhos. Em um mês, PE foi de 95 para 6.876 casos.

G1PE

Pernambuco, em 1º de abril, registrava 95 casos confirmados de pacientes com o novo coronavírus em 12 municípios e em Fernando de Noronha. No dia 30, o Estado tinha 6.876 casos de Covid-19, espalhados por 120 municípios pernambucanos, além do arquipélago. Um estudo da Fundação Joaquim Nabuco identificou que as rodovias BR-233 e BR-101 serviram como “caminhos” para a disseminação do vírus no Estado.

Freire, que também analisa o avanço do novo coronavírus nos estados vizinhos, apontou que o maior número de casos está em Pernambuco. Até o sábado (02/05), Alagoas tinha 1.371 casos e 58 mortes provocadas pelo novo coronavírus. Paraíba contava com 1.169 confirmados e 76 mortes por coronavírus.

“Em Pernambuco, a pandemia se espalhou e se densificou mais que seus estados vizinhos. Foi adotado isolamento social, mas houve um relaxamento e isso, junto a circulação de pessoas, também favoreceu a esse grande número de pessoas contaminadas ao final do mês de abril”, disse.

Apesar das medidas restritivas de fechamento dos serviços não essenciais e suspensão de aulas, decretadas pelo governo estadual, a população circula pelo estado, relatou Freire. “Ainda temos pessoas que têm parentes e viajam, que tem algum negócio que não foi afetado pela quarentena, que precisa de assistência médica que não seja da pandemia e vai para o Recife. Basta ver que essas rodovias não têm apenas circulação de mercadorias, tem de pessoas também”, lembrou o pesquisador.

mapa-epicentro

Inicialmente, o contágio se deu por proximidade e a alta densidade populacional da capital e da Região Metropolitana contribuíram para isso.

“Recife tem uma alta densidade populacional e o contágio se deu por difusão. Logo após essa fase, a partir de meados de abril, a pandemia ‘buscou’ outros vetores, não mais apenas o contágio por difusão, aquele que está próximo por você”, disse Freire.

Os pesquisadores identificaram que as cidades às margens das duas rodovias começavam a apresentar casos, que aos poucos seguiam para outros municípios. “Essa onda de contaminação veio do litoral, passou pelo Agreste e agora vai para o Sertão”, apontou. Um dos fatores que podem contribuir, segundo Freire, é o comércio nas feiras que existem no interior do estado. Barreira sanitárias poderiam auxiliar a conter o avanço, com higienização dos veículos, acredita o pesquisador.

Apesar do avanço da doença pelo Estado, os pesquisadores notaram que a Covid-19 ainda não chegou aos locais de maior vulnerabilidade social de Pernambuco. “Em abril, foi o mês que o vírus se instalou definitivamente no Estado. A princípio, nós não observamos a intensificação da pandemia nas áreas de maior vulnerabilidade social. Ela ainda não chegou às favelas e a outros locais de vulnerabilidade social”, relatou.

Entretanto, segundo Freire, a tendência é de que todos os municípios pernambucanos tenham casos confirmados ao longo do mês de maio. “Ainda vamos observar essa evolução. Até agora, não temos diminuição dos números de casos.