Ceclin
jul 07, 2009 0 Comentário


Estudantes de Jornalismo em Pernambuco se questionam sobre futuro profissional

Foram oito votos contra, apenas um a favor da obrigatoriedade do diploma para os profissionais que exercem a atividade de jornalistas. A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) desagradou alunos e professores dos cursos de Comunicação Social, como também trouxe incerteza em relação ao futuro.
Um desses estudantes é Frederico Cipriano, que enfrentou a resistência da família ao decidir trocar o curso de Agronomia pelo de Jornalismo. Os pais eram contra, achavam que o mercado de trabalho não oferecia condições de um bom emprego para o filho. Mesmo assim, ele decidiu pela carreira na área de Comunicação, mas agora está em dúvida se fez a escolha certa.

“Eu estou num curso em que o diploma não vai mais ser reconhecido. Não teria sido melhor eu ter terminado Agronomia pra poder ser jornalista depois? Um agrônomo jornalista?”, questiona-se.

O curso de Jornalismo é um dos mais concorridos nas universidades de Pernambuco, sejam públicas ou particulares. São quatro anos de duração, com disciplinas sobre assuntos como ética, técnicas de reportagem e teoria da comunicação.

Para os professores, o fim da obrigatoriedade do diploma pode significar queda na qualidade e na credibilidade dos meios de comunicação. “É uma contradição. Estamos em pleno século 21, na sociedade do conhecimento e da informação, e se nega a uma categoria profissional a possibilidade de se profissionalizar dentro do campo científico e técnico”, diz a professora Raquel Rodrigues.

O presidente do Sindicato dos Jornalistas em Pernambuco, Ayrton Maciel, classificou de retrocesso a decisão do STF. “Atinge a qualidade da informação, a credibilidade da informação a longo prazo e, sem dúvida nenhuma, a organização dos jornalista como trabalhadores também está afetada sensivelmente”, afirmou.

Mas, na opinião do representante das empresas de radiodifusão de Pernambuco, mesmo com a decisão do Supremo, o mercado vai continuar optando por mão de obra qualificada. “Independente da decisão judicial, eu imagino que as empresas que primam pela qualidade, pela preparação técnica, elas vão priorizar os profissionais mais preparados. Isso é um fato”, disse Marcelo Pitanga, vice-presidente da Asserpe (Associação das Empresas de Radiodifusão de Pernambuco).

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