Ceclin
Maio 04, 2010 1 Comentário


Esquistossomose ameaça trabalhadores rurais em Pernambuco

Pesquisa da Associação Caruaruense de Ensino Superior revelou que 28,4% dos 310 moradores de Natuba, no Agreste do Estado, têm a doença

Da Redação do pe360graus.com


Quem costuma ir ao Agreste do Estado, quando passa por Vitória de Santo Antão, já deve ter visto plantações de verduras e legumes à beira da BR-232. É o distrito de Natuba, a 50 quilômetros do Recife, fornecedor de boa parte das hortaliças que são vendidas em Pernambuco.

O distrito emprega seis mil agricultores, que trabalham nas plantações de hortaliças desde crianças. Com a economia, está tudo bem. O problema lá é de saúde pública. Os trabalhadores não usam luvas e nem botas. Por causa disso, são ameaçados por uma doença: a esquistossomose, também conhecida como barriga d´água.

Alunos da Associação Caruaruense de Ensino Superior fizeram uma pesquisa com 310 moradores de Natuba, e descobriram que 28,4% deles têm esquitossomose, doença causada por um parasita chamado de Schistossoma mansoni.

A transmissão se dá através do contato com a água contaminada. Os ovos do verme são eliminados pelas fezes e urina humana e liberam larvas que infectam caramujos. Depois de uma semana, as larvas abandonam os caramujos. Presentes na água, são elas que penetram na pele e contaminam o homem.

CONTAMINAÇÃO

A doença é grava e pode matar. De acordo com o último levantamento do Governo Estadual e Federal, realizado em parceira com o Centro de Pesquisa Aggeu Magalhães. Foi verificado que 72 dos 185 municípios pernambucanos têm casos de esquistossomose. A doença atinge 15% da população do Estado.

A doença atinge, principalmente, jovens entre 20 e 29 anos. O relatório foi entregue à Secretaria de Saúde de Vitória de Santo Antão. As pessoas foram identificadas e tratadas. Mas isso só não basta.

“Eles continuam com trabalhando sem proteção, podem ser contaminados novamente pelos parasitas. Quem consome as hortaliças não estão sujeitas à doença, somente quem tem contato com a água contaminada, como a água de irrigação. Por isso o maior índice de contaminados está entre os trabalhadores rurais”, explicou o biomédico Fabrício Andrade.

A maior dificuldade é que não existe prevenção. Os caramujos estão em toda parte. Mas muitos agricultores nem sabem o que é esquistossomose. Eles passam o dia inteiro trabalhando sem luvas e com os pés descalços. “Com a luva fica diferente de trabalhar. A gente fica sem o tato, sem o jeito de pegar”, disse o agricultor Fábio Silva.

“A bota é muito quente. O dono da hortaliça até comprou, mas eu não gosto de usar”, falou o agricultor Jociel Cabral. “A gente trabalhando manual, sem a luva, a gente faz o serviço mais rápido”, contou o agricultor João Soares.

De acordo com a pesquisadora Constança Barbosa, do Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães, que é a unidade da Fiocruz em Pernambuco, a prevenção ambiental é tão importante quanto a individual. “É preciso se prevenir usando bota e luva, mas medidas no ambiente onde esses agricultores trabalham pode ajudar nessa prevenção. As mangueiras, por exemplo, poderiam ser vedadas com telas de proteção e a água do rio poderia ser colocada em tanques para serem cloradas antes do uso nas hortas”, disse.

Dentre as ações que a gestão em saúde de Vitória vai tomar, ainda neste semestre, está o tratamento em massa. “É o que a gente pode fazer neste momento. Vamos agir reforçando as estratégias de Saúde da Família, com os agentes de saúde e também fazendo ações direcionadas nas escolas da cidade e com os agricultores da região”, falou o gestor Francisco Santos.

TRATAMENTO

A esquistossomose é uma doença perigosa. Em 2007, 153 pessoas morreram com essa doença em Pernambuco. É o Estado onde foram registradas mais mortes no País.

Segundo o médico do Hospital Oswaldo Cruz, Vicente Vaz, entre os sintomas da doença está a coceira, dor de cabeça, febre, dor no corpo, diarréia. “Esses sintomas se confundem muito com outros tipos de doença, por isso esse trabalho de identificação dos locais com maior número de casos é importante, pois os pacientes que moram nessas cidades terão uma atenção maior”, explicou.

O Hospital Oswaldo Cruz, no Recife, é uma das unidades de referência do tratamento da doença. Além do HOC, as pessoas podem procurar também as unidades de saúde. Dois remédios adiquiridos na rede pública.
(Portal PE360graus).