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jan 23, 2011 0 Comentário


ENTREVISTA » ANA ARRAES

“Construirei uma liderança de todos”


Publicado em 23.01.2011

Jornal do Commercio

Gabriela Bezerra

gbezerra@jc.com.br

Com o compromisso de ser “porta-voz do consenso partidário na Câmara”, a deputada Ana Arraes (PSB) assumirá a liderança do PSB na Casa a partir de fevereiro, com o início da nova legislatura.
A decisão teve o senador eleito Rodrigo Rollemberg (PSB-SP), atual líder, como um dos articuladores e foi oficializada na última quarta-feira (19).
Ana Arraes conta com o respaldo de ter sido a deputada federal mais votada de Pernambuco e do partido – que elegeu uma bancada de 34 parlamentares, sete a mais que na legislatura anterior. Entre os desafios assumidos por ela está a luta pela Reforma Tributária.

JC – Como se deu a decisão do PSB de oficializar o seu nome como líder do partido na Câmara?


ANA ARRAES – O líder Rodrigo Rollemberg (DF) lançou o meu nome, conversou com todos os deputados e houve um grande consenso, então o acordo foi fechado. Sou uma deputada que, com apenas um mandato, participei de várias comissões, como a de Defesa do Consumidor, as Especiais da Tarifa Social da Eletricidade e da Reforma Tributária e a sub-Comissão de Ciência, Tecnologia e Comunicação. Também fui a deputada federal mais votada do meu Estado e do meu partido. Agradeço aos meus colegas o apoio e pretendo construir uma liderança de todos, atuando junto com a bancada para que o nosso partido cresça, apoiando a nossa presidente.

JC – O deputado Gabriel Chalita (SP) manifestou interesse na liderança. A decisão pelo seu nome causou mal-estar dentro da sigla?

ANA – Não. O partido marcha unido. Eu acho que é direito de todos os deputados, inclusive dele, manifestar o interesse de ser líder. É natural. O líder (Rollemberg) achou que o meu nome deveria representar o partido na Câmara, pela minha experiência. Então, ele fez uma consulta com os outros deputados e o meu nome foi apoiado de forma massiva.

JC – Como a senhora enxerga a avaliação de que a escolha do PSB teve “feições familiares”, em função do seu parentesco com o presidente nacional do partido, o governador Eduardo Campos?

ANA – Encaro isso como uma falta de argumento político. Ser mãe do governador Eduardo Campos é uma honra para mim, inclusive pela aprovação nacional dele, assim como deve ser uma honra para ele ser meu filho. Não gosto da palavra privilégio. Eu exerci o meu mandato como deputada e não como mãe do governador. Sou filha do ex-presidente nacional do partido e ex-governador do Estado Miguel Arraes (PSB) e mãe do atual governador e presidente nacional do partido. Eu tenho essa origem, não se pode negar. Mas isso não é argumento para criticar a minha indicação à liderança do PSB. É uma crítica familiar e não política. Por que não dizem que a minha gestão é ruim?

JC – Como é a sua relação com os deputados dos outros Estados, em especial do Ceará?

ANA – Eu me dou bem com todos os deputados, inclusive os do Ceará, Ciro Gomes (que não renovou o mandato) e Ariosto Holanda foram os deputados com quem convivi mais. Também me dou bem com todos os deputados dos outros Estados. Há respeito, cordialidade, ajuda e colaboração. A bancada do PSB é muito organizada e alinhada, é uma convivência muito boa.

JC – A senhora já declarou que não será uma líder impositiva. Como será a sua liderança na Câmara?

ANA – Uma liderança democrática. Vou consultar os meus pares. Vamos trabalhar em coletividade, serei porta-voz do consenso partidário. Eu entendo liderança dessa forma. Se não, é ditadura.

JC – Quais os desafios da liderança do PSB nessa legislatura, tendo em vista, inclusive, o crescimento do partido na última eleição?

ANA – Teremos o desafio de representar o desejo de todos e colocar na pauta da Câmara assuntos de interesse da população, como a Reforma Tributária. Também vamos buscar relatorias para os nossos deputados e estar na Câmara contribuindo para o avanço da democracia de direito. Tem muita gente excluída. Houve um avanço no governo Lula, mas é preciso fazer mais.

JC – A Reforma Tributária é uma prioridade em detrimento da Reforma Política?

ANA – Essas duas pautas são importantes, são prioridades do mandato. Vamos lutar pelas duas. Uma prioridade não exclui a outra, como não excluiu até hoje.