• Ceclin
dez 29, 2008 9 Comentários


Entre flores e espinhos

Nossa Coluna no site Direto do Ponto.com
por Lissandro Nascimento*
Em artigo anterior intitulado “Que venha o novo ciclo” tivemos a chance de pontuar um prognóstico do que venha a ser o futuro quadro político. Por sua vez, o que caberia diagnosticar no atual momento político?

Resultados postos, Vitória de Santo Antão se perfaz de um sentimento consensual de perspectivas de mudanças e novos horizontes no trato da coisa pública. A gestão que se inicia com o terceiro governo de Elias Lira na Prefeitura local restabelece além de uma nova ordem política, a possibilidade de abrir uma encruzilhada na ambientação política. É a partir deste ponto que se observa como está posto a correlação de forças deste terceiro governo.
O novo governo de Elias Lira vem com um novo ingrediente político, diferente dos seus dois últimos governos. Naquele outros havia uma hegemonia de seu grupo político liderado pelo PFL, hoje DEM, que consolidou sua força política na região e ajudou a eleger um sucessor. Havia uma marca própria de gestão conhecida por todos. Nesta nova fase foram adicionadas outras alianças, outros grupos e a cobrança de um novo comportamento político.
Neste sentido, a coligação “Vitória bem administrada” liderada por dez partidos políticos ganhou a disputa – polarizada e acirrada – contra um grupo político forte e tradicional do Município. Há de descrever a aliança política fechada com o grupo do Dep. Henrique Queiroz (PR), do empresário educacional Paulo Roberto (PSDB), do grupo empresarial de Alexandre Ferrer (PMDB), e outras lideranças políticas protagonistas do ambiente político local. Ou seja, estes quatro grupos políticos terão a responsabilidade e vão ter que praticar a habilidade política nesta nova gestão. É um dado novo, que o grupo do prefeito eleito Elias Lira terá que aprender a conviver. Sem contar com a nova postura que deverá ser empreendida com o que ficou estabelecido na formação das bancadas na Câmara de Vereadores.
Não se trata de uma tarefa fácil. Contudo, necessária.

Neste quadro, os papéis desempenhados pelo Secretário de Governo, dos líderes do governo e da oposição, e as principais lideranças políticas desta aliança serão supervalorizados. Terá que ser um governo de resultados se quiser jogar um papel destacado nas eleições de 2012. Neste desafio não caberá erros táticos, pois o grupo de Elias – liderado pelo DEM – deve reconhecer que vai precisar ampliar suas alianças se quiser impedir o declínio dos democratas no Estado.

Que interesses permeiam para que estes grupos contribuam na administração Elias Lira / Henrique Filho? Que resultados políticos quer esta aliança e o que esta pretende para o bem da sociedade? Tendo esse objetivo claro, é o que vai permitir a administração êxitosa. Por essência é um governo que já nasce plural, porém ainda com raízes do vício do ciclo de poder (mencionado em artigo anterior).
O grupo de Henrique Queiroz traz a experiência dos bastidores políticos, da relação empresarial sucro-alcooleira e sobretudo o apoio tácito que pode acender fortes parcerias com a aliança nacional e estadual do PR e PSB (leia-se Eduardo Campos). O grupo de Paulo Roberto vem com o inovativo, com a academia intelectualizada, com técnicos e disposição política. O grupo de Alexandre Ferrer reforça o governo com a credibilidade empresarial e comercial, com tradição familiar e com visão larga do que significa fazer “gestão”. O grupo de Elias Lira vem com a bagagem de quem conhece minuciosamente a máquina pública, tem bases consolidadas com setores da área rural e forte ligação com a cadeia produtiva local. É um leque de pluralidades, que se bem conduzido politicamente, pode fazer uma gestão ousada para a municipalidade.
É nesta correlação de forças políticas que será formatada o novo governo. É um governo de centro. Não tenho dúvidas!
A suposta saída futura de um destes grupos desta correlação quebraria o caráter de um governo “de centro”. E por assim ser, persistida esta posição política, abrirá condição para se ter uma boa relação administrativa com o Governo do Estado e o Governo Lula. Além do mais, neste formato, já se percebe como natural à gestação de uma encruzilhada no ambiente político com a hipótese de um novo ciclo de poder no futuro da cidade, para preencher a lacuna política com a saída das duas principais lideranças políticas. Bem, o que isso poderá significar no tabuleiro das Eleições de 2010? Nesta análise caberia outro artigo para abordar este tema. Fica a reflexão.
Do mais, esperamos pelo menos e esse é o sentimento da grande maioria, que o Município tenha condição em dá maiores saltos de desenvolvimento. E que esta nova gestão tenha claro o seu papel de acumular e permitir que a interiorização do desenvolvimento aqui se consolide.

“Se muito vale o já feito, mais vale o que será!”

FELIZ 2009, Vitória de Santo Antão!

Por Lissandro Nascimento.
Turismólogo. Professor Universitário. Editor do Blog A VOZ DA VITORIA.