Ceclin
dez 26, 2009 0 Comentário


Entidades denunciam mortes de trabalhadores em PE

Um documento que denuncia a morte de dois trabalhadores rurais no município de Cortês (PE), foi entregue, nesta terça-feira (22), na Superintendência Regional do Trabalho. Com o documento, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e a Federação dos Trabalhadores da Agricultura de Pernambuco (Fetape) pedem uma investigação dos casos.

Os trabalhadores sofreram infarto enquanto cortavam cana-de-açúcar na Usina Pedrosa. As mortes dos trabalhadores aconteceram em setembro e outubro, mas só foram descobertas com visitas feitas por agentes da CPT no fim de novembro. Para Aristides Santos, presidente da Fetape, as mortes nos canaviais estão relacionadas ao contato com os agrotóxicos, além da falta de Equipamentos Individuais de Proteção (EPIs).

“Nem sempre as empresas adquirem ou compram esse material de qualidade para que os trabalhadores possam usar e se proteger, principalmente no caso dos defensivos químicos, os agrotóxicos, que são muito fortes.”

Esses não são os primeiros casos de mortes em canaviais. No estado de São Paulo, maior produtor de etanol no Brasil, 21 mortes de trabalhadores foram registradas entre 2004 e 2008. O excesso de esforço físico também estaria relacionado com as mortes. Aristides contou sobre casos de trabalhadores que cortam cana até o dobro da meta estabelecida.

“Essa modalidade de produção, se não houver um controle, se as empresas deixarem muito à vontade, corre o risco do trabalhador fazer um esforço muito grande em razão de ter melhor renda no final do mês.”

Segundo uma pesquisa da professora da Unesp (Universidade Estadual Paulista), Maria de Moraes Silva, até a década de 90, os cortadores de cana permaneciam na atividade por 15 anos. Hoje, o prazo diminuiu para 12.

Fonte: Radioagência NP