Ceclin
dez 03, 2008 2 Comentários


ENSINO PAROQUIAL

Helder Sóstenes Barros de Andrade*

Dentre outras lembranças boas que trago de minha infância, uma delas é do tempo em que estudei no primário, hoje ensino fundamental, na Escola Paroquial Matriz de Santo Antão.
Todas as manhãs, ora rezávamos orações católicas, ora, em fila, cantávamos os hinos de Pernambuco e de Vitória. No recreio, dividíamos o espaço do pátio com enormes palmeiras ali existentes.
Enquanto de um lado as meninas, de gravata borboleta se dobravam para pular um elástico, ou uma corda, do outro, os meninos suavam atrás de uma pequena bola de pano ou de papel, sempre de gravata e tênis kichute amarrado até o joelho.
Ali brigávamos por bobagens e ficávamos amigos minutos depois. Era cenário de pequenas paqueras e das primeiras desilusões amorosas. Aliás, na maioria das vezes acontecia nos ensaios de quadrilhas junina, organizados pela dedicada professora Cristina, ao lado da esforçada Diretora Concé, irmã de Padre Renato. Elas escolhiam os pares, por isso sempre aguardávamos ansiosos para que fosse a pessoa que queríamos. Lembro que sempre tive muita sorte nesta hora…
A Escola Paroquial tinha um ensino bastante disciplinador, onde as professoras eram respeitadas, e os alunos temiam serem chamados atenção. Dentro da sala de aula, aprendíamos estudos sociais (geografia e história), português, matemática e ensino religioso. Os pais acompanhavam o desempenho de seus filhos e sempre eram chamados em reuniões periódicas.
Independente da condição financeira, todos os pais, desejavam que seus filhos estudassem na Escola pública Paroquial, até porque, parte deles já havia estudado lá e conhecia o ensino disciplinador.
Hoje a escola paroquial não mais existe. E todos os pais, sem dúvida, fazem o possível para que seus filhos estudem numa boa escola particular. Não é difícil saber o porquê. O que vemos nas escolas públicas de hoje, é totalmente o oposto a minha querida Escola Paroquial.
Infelizmente inventaram um modelo, onde não mais se reprova que deseduca mais que educa. As escolas possuem uma administração complexa, com muitas salas de aulas e muitos alunos por sala, não permitindo o acompanhamento individualizado do aluno como era feito no meu Paroquial. Não sei onde nossos líderes estão com a cabeça. Prefiro recordar aqueles bons momentos, quando encontro meus colegas de sala, hoje a maioria com uma profissão definida.

Bons tempos aquele!
por Helder Sóstenes
*Diretor do Jornal Correio do Interior