Ceclin
jul 04, 2010 2 Comentários


Empresas descobrem o interior


Publicado em 04.07.2010

Suape é a grande vedete de Pernambuco, mas os municípios fora do Grande Recife também estão conseguindo atrair empreendimentos estruturadores

Giovanni Sandes e Felipe Lima
Jornal do Commercio.

O Complexo Industrial Portuário de Suape ganhará mais 1.500 empregos, com um novo estaleiro anunciado semana passada. Lá, os postos de trabalho são contados aos milhares e os investimentos, aos bilhões. Quanto mais aquela área cresce, mais o próprio governo se preocupa em levar outros investimentos para o interior do Estado.
O esforço é um refrão do governador Eduardo Campos e de sua equipe desde o primeiro ano de gestão. E os primeiros resultados começaram a aparecer.


Mas ainda falta muito para promover a proclamada interiorização do desenvolvimento, que na prática tem se revelado uma desconcentração dos aportes no Grande Recife. Quantitativamente, a região metropolitana continua a receber a maioria dos projetos industriais. Mas cidades como Vitória de Santo Antão, Caruaru e Petrolina começam a se destacar.


A primeira delas, em especial, vive um momento de euforia: tem a Sadia, ganhou uma planta da multinacional Kraft Foods e comemorou na última sexta-feira mais sete empreendimentos, dentre eles um de R$ 50 milhões, da Metalfrio, que vai produzir refrigeradores. A situação de Vitória mostra que além de infraestrutura, oferta de áreas e incentivos fiscais, empresários gostam de investir onde outros já colocaram dinheiro. “Indústria não gosta de ficar só”, confirma o presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (AD Diper), Jenner Guimarães.

A Kraft, por exemplo, teve como principal consultora a Sadia.

Essa é uma das explicações para o Sertão e, principalmente, a Zona da Mata Norte ainda não terem deslanchado. Nos últimos três anos, apenas sete projetos foram anunciados para a região acima do Grande Recife, quase metade do que chegou somente para Vitória.
(Jornal do Commercio).

Sem infraestrutura vem a frustração
Publicado em 04.07.2010

Suzano, Digimedia, Gyotoku e Cemil são nomes de fábricas de ramos completamente diferentes: papel e celulose, CDs e DVDs, cerâmica e laticínios. Em comum, todas são indústrias que o governo tratava como certas para se instalar no interior de Pernambuco e nunca vieram para o Estado.

Entre a divulgação da chegada das empresas e a frustração de perdê-las, muito se discutiu sobre uma possível antecipação dos anúncios sem ter recebido certeza dos investidores.

Mas a falta de infraestrutura adequada, sejam estradas em boas condições, existência de ferrovia ou fornecimento de água e energia, pesou em todos os casos. Pernambuco não tem exclusividade na baixa competitividade de sua zona interiorana. Mas cada megafábrica anunciada no Complexo Industrial e Portuário de Suape significa grande necessidade de infraestrutura.


Embora o desenvolvimento de Suape seja bom para o Estado, na prática “o cobertor é curto”: a área disputa dinheiro com o resto de Pernambuco. “Água, energia, estradas e portos são essenciais. Em alguns casos, até aeroportos. Imagine o que aconteceria com o Vale do São Francisco se as frutas, altamente perecíveis, tivessem que ser deslocadas por caminhões, em estradas”, comenta o economista Jorge Jatobá.


Segundo ele, há três fatores determinantes para a localização de uma fábrica. O primeiro é a oferta de matéria-prima, em geral mais volumosa e pesada que o produto final. A proximidade do insumo gera economia de custos com transporte, como no caso do Polo Gesseiro de Araripina. “A logística é justamente outro ponto fundamental. Se as estradas são precárias e esburacadas, não há ferrovias, a lentidão no transporte e as perdas de produtos trazem um custo alto. Pernambuco faz divisa com cinco Estados. Por sua localização e características privilegiadas, como boa extensão leste-oeste, poderia ser uma potência logística”, continua Jatobá.


Além da falta de confiança do empresariado no cronograma da Ferrovia Transnordestina, que frequentemente muda e é jogado mais para o futuro, a última pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT) apontou que 86,3% das estradas analisadas em Pernambuco têm problemas de pavimentação, sinalização e geometria.

As estradas pernambucanas estão abaixo até mesmo da média regional. “Um terceiro ponto determinante para uma empresa são os incentivos fiscais. O Estado tem uma política interessante de incentivos. Ganha mais quem estiver mais distante de áreas como Recife ou Suape. Mas mesmo os benefícios têm um limite, especialmente em função de matéria-prima e logística”, complementa Jorge Jatobá.


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