Ceclin
ago 21, 2010 0 Comentário


Empresários da Mata Sul recebem crédito da Caixa

Publicado em 21.08.2010

Liberação de verbas põe fim à espera das vítimas das enchentes

Ontem, um empresário de Barreiros, Mata Sul do Estado, que assinou há duas semanas um contrato de financiamento de R$ 55 mil com a Caixa Econômica Federal (CEF) para reconstrução de seu negócio, finalmente acordou com o dinheiro em sua conta corrente. Ele foi o último de um grupo de 71 empreendedores, os primeiros a contarem com os recursos que fazem parte dos R$ 1 bilhão destinados pelo governo federal para retomada da atividade econômica em cidades pernambucanas e alagoanas.
O montante foi anunciado há exatamente um mês e tem como finalidade ser emprestado a quem perdeu mercadorias, imóveis e teve outros prejuízos financeiros em virtude das cheias no mês de junho.

Com a liberação de ontem, encerra-se a primeira etapa de desembolsos dos financiamentos de ajuda em Pernambuco. Diferentemente do que foi alardeado no lançamento do Programa Emergencial de Reconstrução dos Estados de Alagoas e Pernambuco do Bando do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES PER), nas duas semanas que separaram a assinatura dos primeiros contratos o que se viu foram muitas queixas dos empresários por causa do excesso de burocracia, demora na análise dos pedidos e mais espera ainda para liberação dos recursos. Quem estava com o contrato na mão custava a entender porque o dinheiro não chegava. Tudo como não deveria ser numa situação atípica e emergencial como a vivida na Mata Sul.

Ao todo, foram liberados R$ 3,41 milhões em Pernambuco esta semana. Os primeiros a receber, na terça-feira (17), foram 49 empresários que utilizaram o Banco do Brasil como intermediador das operações. Em seguida, na quinta-feira (19), vieram os 21 empreendedores que procuraram o Banco do Nordeste como agente financeiro. A expectativa das instituições é que o tempo de análise, aprovação e liberação fique mais curto a partir de segunda-feira. Os 71 financiamentos liberados esta semana estão abaixo também do número de 105 contratos assinados divulgado há duas semanas em um “ato” promovido em Palmares, que pelo visto teve mais caráter político.

É quando começam a valer uma série de alterações na tramitação dos pedidos nos bancos e no BNDES, responsável por analisar e liberar os recursos da União. A principal mudança é que dois documentos que eram enviados em separado (a chamada ficha resumo de operação e o pedido de liberação), com uma diferença de até três dias entre eles, agora serão remetidos para o BNDES de uma só vez. Só isso, segundo os bancos, vai reduzir quase pela metade o tempo de espera. Além disso, o registro em cartório na hora de assinatura do contrato será dispensado, podendo ser feito em até 90 dias. Por fim, haverá uma integração entre os sistemas das instituições, evitando o uso de documentos elaborados a mão, como foi necessário diversas vezes nessa primeira etapa do programa.

As condições de pagamento do BNDES PER são especiais. Os empresários têm dois anos de carência (período para começar a pagar). De cinco (para quantias entre R$ 51 mil e R$ 1 milhão) a oito anos (para valores até R$ 50 mil) de prazo para quitar todo o empréstimo e juros anuais de 5,5%, quatro vezes menores que os praticados normalmente no mercado. Até agora, os pedidos tem sido de R$ 42 mil, em média.
(Jornal do Commercio).