• Ceclin
ago 24, 2009 1 Comentário


Em Vitória, uma lição de recuperação

Cheias sempre são temidas. Causam destruição, mortes, desabrigados. Provocam dor e saudade do que se perdeu para sempre, do que se construiu ao longo da vida, seja com dinheiro ou amor.

A enchente que atingiu mais de dez municípios do estado em junho de 2005 não poderia ter sido diferente. O que poucos sabem, ainda, é que algo bom surgiu em meio àquelas perdas. Se depois de toda tempestade vem a bonança, depois de uma inundação, quem sabe, resta ao menos a terra fértil. Foi assim que aconteceu com o município de Vitória de Santo Antão, na Mata Sul pernambucana. Por conta das obras de reconstrução e novas contratações, a cidade saiu do 19º para o 6º lugar no ranking estadual que aponta o desenvolvimento. Este é o maior salto do estado quando se refere à geração de emprego e renda e saúde.

O número divulgado é do Índice Firjan e se refere a 2006, exatamente um ano depois que os moradores de Vitória pensaram ter visto o fim do mundo. Quem fala no município, hoje, não tem como única referência a fábrica da Pitú,que tornou a cidade conhecida internacionalmente. Depois da enchente, a Firjan destaca que o município foi impulsionado por obras de infraestrutura, “tais como reconstrução de moradias populares e um gasoduto”. Os dados frios se referem, por exemplo, a 458 casas construídas para os desabrigados com recursos do governo federal e que receberam o nome de Iraque 2, além de reformas feitas em todas as residências atingidas.

O pedreiro Manoel José da Penha Filho, 39 anos, é testemunha dos avanços constantes. Depois da cheia, ele ainda reconstrói a própria vida, como faz com as casas – dos amigos e dos desconhecidos. Mesmo no mercado informal, ele diz não ter ficado desempregado desde a enchente e se orgulha de receber R$ 250 por semana quando “pega um trabalho bom”. Logo depois da destruição provocada pelas águas, Manoel ajudou a reerguer duas casas na rua Beco do Sapo, no bairro Mário Bezerra, onde também mora. De lá para cá, o pedreiro não parou, refletindo o índice da Firjan em relação ao emprego e renda, que de 2005 para 2006 variou de 0.6133 para 0,6865, um crescimento regular.

Variação – Só de empregos formais, diferente do momento vivido por Manoel, o número aumentou de 457 para 1.317 de um ano para o outro, com variação de renda mensal positiva de 8,2%. “Foram tantas obras que o rigor na fiscalização aumentou e as pessoas começaram a diminuir o ritmo. Mas agora já estou fazendo este galpão, há cerca de dois meses”, explicou.

A dona de casa Jadiene Maria da Silva, 32 anos, faz parte de outro dado positivo da Firjan, que mede os avanços na saúde pelo número de consultas pré-natal, óbitos por causas mal definidas e mortes infantis evitáveis. O Ministério da Saúde não divulgou detalhes desses números, mas a Firjan frisou que o índice de Vitória saiu de 0.7667 de 2005 para 0.8077 em 2006, considerado de alto desenvolvimento. Além de ver o marido ser contratado para trabalhar como gari, Jadiene cuida melhor da própria saúde e dos filhos. Ela ficou grávida em 2005 da filha caçula e fez todos os exames pré-natais,diferente do que aconteceu com os últimos sete filhos. Até hoje, Jadiene diz que a filha Elisângela, hoje com 4 anos, é acompanhada por agentes de saúde. “Quando eu me casei, tinha 15 anos e esse exame pré-natal nem existia”, afirmou.
(Diário de Pernambuco).

O município

Vitória de Santo Antão fica a 51 km do Recife, localizada na Mata Sul do estado. A cidade é conhecida internacionalmente por produzir a cachaça Pitu

O município hoje tem grandes indústrias e deixa de ser marcada apenas pela cana-de-açúcar, tão tradicional na Zona da Mata. A cidade hoje tem indústrias de grande porte como a Companhia Industrial de Vidros, empresa do Grupo Brennand, a Sadia, a Destilaria JB e a Destilaria Pitu.

O município tem 121.233 habitantes, segundo dados do IBGE, mas 99.344 vivem na área urbana A feira livre de Vitória é bastante conhecida e diversificada. Ela situa-se nas ruas adjacentes à Praça Duque de Caxias e da Rua André Vital de Negreiros.

Microdados de Vitória de Santo Antão
Índice IFDM Geral Emprego & renda Educação Saúde

2000 (15º) – 0,5617 – 0.5056 – 0.4927 – 0.6862
2005 (19º) – 0.6133 – 0.4836 – 0.5898 – 0.7667
2006 (6º) – 0,6907 – 0,6865 – 0,5779 – 0,8077

Fonte: (IFDM) Índice Firjan de Desenvolvimento