Ceclin
out 03, 2014 0 Comentário


Em Vitória, oligarquia familiar manterá seus espaços na Alepe

Câncer da política, o familismo domina gerações na Assembleia Legislativa. Vitória é um nítido exemplo de muitos sobrenomes que atravessam décadas 

Por Lissandro Nascimento

Não há a menor dúvida de que Aglaílson Júnior (PSB), Joaquim Lira (PSD) e Henrique Queiroz (PR) estão eleitos e serão bem votados neste Domingo – 05 de outubro. Não obstante, eles são uma célula primordial do que se representa hoje a “oligarquia familiar” que reina há quase um século em Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata.

Vitória é refém do atraso político germinado pelos Queiralvares, Queiroz e Lira. Fingem que são inimigos, mas são unidos pelos laços familiares e seus interesses corporativos. Não esqueçamos, caso aqui alguém defenda a família Elias Lira, que o atual prefeito de Vitória foi criado pelas mãos do finado Dr. Ivo Queiroz e lançado à vida pública nos idos de 1982. O que faz uma cidade tricentenária como Vitória de Santo Antão ainda se encontrar nas mãos desta gente? E o que é pior, há muitas personalidades ‘inteligentes’ e ricas nesta cidade que vivem apoiando este “câncer político”, e beijam diariamente os pés, sobretudo, do atual prefeito.

É de uma pobreza extrema o debate político em Vitória de Santo Antão, onde historicamente, metade do seu eleitorado vota durante as eleições estaduais, para perpetuar os nomes desta oligarquia familiar. É vergonhoso constatar, que Aglailson, Joaquim e Henrique estejam no mesmo palanque, e pasmem, precisam um do outro na mesma coligação proporcional para assegurar seus novos espaços na Assembleia Legislativa de Pernambuco. Guardem para a posteridade: Elias Lira agora é 40!

Isso denota que o sistema partidário-eleitoral está na berlinda, carcomido por vícios e deformações nas relações entre os Poderes e entre os eleitos e eleitores. Sistema que se alimenta e se reproduz de acordos partidários sempre sob suspeitas e governos dependentes de bases de apoio artificiais, que sobrevivem da troca de interesses. Este cenário não traduz, porém, a democracia que herdamos pós ditadura militar. É da tradição política do País. As práticas são iguais entre as regiões. Mais enraizadas em “umas” que em “outras”. Pernambuco é um exemplo. A tradição política vem do “coronelismo” ao espólio familiar do poder, sendo o Legislativo o mais representativo das castas políticas, na história republicana brasileira, nos períodos democráticos e ditatoriais alternados.

Dentre as lideranças políticas vitorienses, quem superou nestas práticas, foi o prefeito Elias Lira. Para eleger o filho neste domingo, Elias dobrou e humilhou a atual Câmara de Vereadores da Vitória de Santo Antão. Cooptou a ferro e a fogo, cabos eleitorais de todos os grupos políticos. Ameaçou, perseguiu, usou seus asseclas para desmoralizar quem não apoiasse seu filho para deputado estadual. Intimou, sob artifícios fora da Lei, funcionários públicos comissionados e calou a velha mídia. Elias Lira não pestanejou, em nenhum segundo, a sua disposição unilateral de eleger seu filho Joaquim Elias. O rico jovem candidato tem discursado nas ruelas em que nunca pisou, de modo açodado e primário, que o seu mandato trará verbas para o governo do seu pai, provando que não o fará se o gestor for outro.

Nos últimos 50 anos, podemos contextualizar que esta quarta administração do Prefeito Elias Lira se mostra a mais corrupta de todas. Uma gestão cercada pelo proselitismo, pelo clientelismo e sórdido paternalismo. Que usa obras milionárias de fachadas para ludibriar o eleitor despolitizado e toma para si, reforçando um governo plagista, quando adota como suas, as obras do Governo Lula e Dilma Rousseff (PT) e as do Governo do Estado. Elias Lira ministra lições para o próximo prefeito de como surrupiar os cofres públicos.

O que entristece é saber, que em médio prazo, não há esperanças para Vitória de Santo Antão se livrar dos interesses desta oligarquia familiar. Em épocas remotas tivemos a chance com o empresário Antonio de Lemos e o médico Edvaldo Bione, ambos se perderam no meio do caminho e acabaram se rendendo aos oligarcas. Recentemente, tivemos uma candidatura a prefeito pelo PT, com o empresário Jailton Albuquerque, que também se entregou aos interesses dos Liras. Jailton e parte do PT de Vitória apoiam a candidatura de Joaquim Lira. Em quem acreditar?

Lamentavelmente, política virou profissão neste Município. Só a nova geração e o povo trabalhador, bem como aqueles que acreditam que é necessário extirpar e renovar estas forças políticas, salvar-se-á Vitória de Santo Antão. Uma cidade promissora, que cresce com desenvolvimento econômico, porém esquecendo seu desenvolvimento social. Um Município que hoje detém resultados positivos em seu PIB por força da macro economia, pelo qual tem se mostrado que não depende destes que hoje se sentem donos da Prefeitura de Vitória.

Por isso tergiverso: Vitória para quem?