• Ceclin
set 23, 2014 0 Comentário


Em Vitória, Abelardo da Hora teve sua escultura destruída pela ditadura militar

As artes plásticas pernambucanas perdem um de seus integrantes mais talentosos na manhã desta terça (23). O desenhista, gravurista, ceramista e escultor Abelardo da Hora, de 90 anos, faleceu devido a um edema pulmonar, às 8h45, após passar mais de 15 dias internado no Hospital Memorial São José. Ao longo de 2014, o artista já havia sido internado várias vezes devido a problemas respiratórios, mas sua situação se agravou nos últimos dias. Viúvo, Abelardo deixa sete filhos.

Abelardo da Hora deixa um legado também na militância política em favor dos mais pobres da nossa sociedade, causa que sempre se comprometeu, utilizando seu trabalho como forma de contribuição para a melhoria da sociedade. Um artista politicamente combativo e fortemente defensor do povo. Com essa visão, foi preso pela ditadura mais de 70 vezes, onde teve suas esculturas destruídas pelos militares, uma delas um monumento em homenagem às Ligas Camponesas, erguida no Engenho Galiléia, em Vitória de Santo Antão.

Além de seu talento artístico, a atuação de Abelardo também foi notável na esfera social e política. Foi secretário de cultura do Recife nos mandatos de Pelópidas Silveira e Miguel Arraes, mas seus direitos políticos foram cassados com a instauração do regime militar, a partir de 1964. Por ser cunhado do prefeito Augusto Lucena, colocado no cargo pela ditadura, foi poupado.

Um dos pilares da arte moderna em Pernambuco, sua atuação foi extensa e produtiva, em uma carreira que ultrapassou 60 anos de duração. Sua última grande obra, a escultura em bronze polido “O Artilheiro” embeleza a Arena Pernambuco, entregue no dia do aniversário do artista, 31 de julho deste ano, em São Lourenço da Mata, onde Abelardo nasceu.