• Ceclin
ago 04, 2016 0 Comentário


Em PE, vacina contra dengue custa mais que o dobro do valor da Anvisa

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Imunização sairá por R$ 300 e agência fixou preço máximo em R$ 138,53.  Por enquanto, o produto será oferecido apenas em clínicas particulares

O valor é muito maior do que foi anunciado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que havia determinado uma faixa de preço de R$ 132,76 a R$ 138,53 após autorizar a comercialização do produto no País. Por enquanto, a imunização só será feita nas clínicas particulares. Na capital pernambucana, a vacina estará disponível, inicialmente, na rede Vaccine, que tem unidades nos bairros do Espinheiro, Parnamirim e Boa Viagem, além dos shoppings RioMar e Recife, na Zona Sul. Só depois deve ser oferecida nos outros lugares.

Na Imunidade Vacina, na Boa Vista, Centro, a chegada da Dengvaxia está prevista para o dia 15 de agosto. A reportagem tentou entrar em contato com a clínica Angelina Maia, no Derby, mas ninguém atendeu às ligações. A enfermeira da Vaccine, Ana Angélica, argumentou que o valor divulgado pelo governo federal se refere apenas ao que deve ser cobrado pelo laboratório. Assim, do fabricante até o consumidor, há todo um processo que incide diretamente no preço pago pelo consumidor. “Depois de comprar a vacina, ela tem que vir de avião, já que há um prazo de até 48 horas pra chegar aqui. Se não chegar nesse prazo, volta. Isso fora os impostos, como o ICMS”, esclareceu. A enfermeira informou ainda que o produto já saiu de São Paulo, na terça-feira (2), mas que ainda não há uma previsão de horário para chegar à clínica.

Desde que a Anvisa autorizou a venda da Dengvaxia no Brasil, muita gente tem procurado as unidades em busca do produto. Assim que chegar a vacina, quem quiser se imunizar contra a dengue precisa agendar por telefone. O número da Vaccine, na Rua da Hora, no bairro do Espinheiro, Zona Norte, é (81) 3426.6625.

Cobranças abusivas

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no entanto, alertou os consumidores nesta terça-feira (2) para que fiquem atentos a cobranças abusivas para aplicação da vacina contra a dengue. Na última segunda-feira (25), a vacina foi registrada pela Anvisa e começou a ser distribuída para o público-alvo e vendida para o restante da população. A Agência reforçou que os valores cobrados pelas clínicas por dose da vacina devem estar no intervalo de R$ 132,76 e R$ 138,53. As vacinas são produzidas pela empresa Sanofi-Aventis Farmacêutica Ltda. A variação do teto do “Preço Fábrica” (PF) que o produto poderá ser comercializado reflete as diferentes alíquotas do ICMS vigentes no Brasil.

A Sanofi-Aventis é, até o momento, a única empresa no país com registro de uma vacina contra a dengue, chamada de Dengvaxia. O tratamento com a vacina inclui três doses, com seis meses de intervalo entre elas. Outras vacinas para a prevenção da dengue ainda estão sendo analisadas pela Anvisa, para que possam ser comercializadas no Brasil com segurança e eficácia. De acordo com regras da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), que é a autoridade brasileira para a regulação de preços de medicamentos, as clínicas e serviços de imunização devem repassar ao consumidor a vacina pelo preço exato pelo qual foi adquirida pelo fabricante. No entanto, esses estabelecimentos podem cobrar pelo serviço prestado para aplicação e armazenamento da vacina.

Para evitar cobrança abusiva, o consumidor deve pedir a discriminação do preço cobrado pela vacina e pelo serviço prestado em nota fiscal. Se o preço cobrado for maior que o teto máximo estabelecido pela CMED, o estabelecimento estará sujeito a sanções, como multa, que pode variar entre R$ 590 e R$ 8,9 milhões. As denúncias relacionadas ao preço da vacina deverão ser encaminhadas para o email cmed@anvisa.gov.br. Também devem ser encaminhadas as comprovações do abuso. Caso o consumidor sinta-se lesado por uma cobrança abusiva pelo serviço de aplicação da vacina, deverá procurar os órgãos de defesa do consumidor, como o Procon, Ministério Público e demais entidades civis de defesa do consumidor.

 

G1/PE