• Ceclin
mai 30, 2017 0 Comentário


Em Palmares, muita lama e disputa por comida em lixo de supermercado no Centro

Palmares enchente

Em Palmares, na Mata Sul, eram grandes os danos da chuva registrados a segunda-feira (29/05). A situação é pior nos bairros Santo Sebastião e Cohab, que ficam perto do rio. Por vários trechos da cidade há muita lama dentro das casas, mas não há registro de desabamentos ou pessoas desaparecidas ou ilhadas.

No Centro da cidade dezenas de pessoas disputam comida descartada por um supermercado como lixo. Sacos de feijão, arroz, macarrão, leite, tudo sujo de lama. “A gente limpa com um paninho”, disse uma das moradoras. Passam pessoas com carro de mão, bicicleta, alguns pegaram sacos com 20 pacotes de macarrão.

Paulo e Raul em Palmares 2017O gabinete de crise da cidade foi instalado às margens da BR. Perto do meio dia o Governador Paulo Câmara chegou à cidade, acompanhado do vice Raul Henry, do presidente da Compesa Roberto tavares, de Marcelo Canuto, da Casa Civil, Milton Mota da agricultura, coronel Mário Cavalcanti, secretário de Recursos Hídricos.

O prefeito de Palmares, Altair Júnior (PMDB), entregou um ofício ao governador Paulo Câmara solicitando mais de 20 itens, entre eles, a liberação do Fundo Estadual de Apoio ao Desenvolvimento Municipal (FEM). Segundo a prefeitura, também foi pedido ao governador que o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) desconsidere os valores a serem pagos em um processo de desapropriação.

“Palmares passando pela calamidade que está hoje não pode pagar uma parcela de mais de R$ 400 mil reais todo mês. Apenas com a abdicação do Senai do montante deste precatório o município pode recuperar sua saúde financeira. O governador prometeu procurar a diretoria do Senai para, no mínimo, suspender esse pagamento enquanto a gente ainda discute ou sai do estado de calamidade”, comentou o prefeito.

Recomeço
Com a baixa no nível das águas, a população começa o processo de limpeza das casas e comércios para tentar retomar a vida. Foi o que fez na manhã dessa segunda-feira (29) a recepcionista Leila Jonas de Oliveira, que iniciou o trabalho de limpeza da Policlínica Dilson Siqueira de Assunção, onde trabalha. O local recebe diariamente 45 pessoas e está fechada temporariamente após receber 70 centímetros de água. Na lista do prejuízo, móveis, computadores e materiais de escritório e de limpeza. “Nós estamos trabalhando para voltar às atividades na quarta-feira. A gente tá fazendo de tudo para voltar o mais rápido possível”, afirmou Leila Oliveira.

Tudo perdido

Dona Maria José vive em Palmares há 20 anos. É viúva e vive com dois filhos em uma casa que foi atingida pelas chuvas. Tudo, exceto a televisão e as roupas da família, foi perdido para a enchente. “Tenho câncer, hepatite C e lupus. Estou em tratamento no Recife, mas não consegui ir hoje”, diz. A casa está sem energia e embora fique longe do rio, foi atingida pela água que sobe por bueiros. “É prejuízo demais”, desabafa.