Ceclin
jun 29, 2010 2 Comentários


Em Palmares, as águas do rio Una invadiram de novo o Centro da cidade.

Nível do rio Una voltou a subir deixando os moradores ainda mais desesperados
BÁRBARA FRANCO

Sensação de trabalho perdido. Depois de tentar, por quase uma semana tirar a imensa quantidade de lama que tomou conta do município de Palmares, na Mata Sul do Estado, a água do rio Una voltou a subir. O bairro do Centro está inundado, novamente. Os entulhos, que estavam todos jogados no chão das ruas, agora, boiam perdidos pela parte baixa da cidade.
A situação trouxe desespero para aqueles que tentaram reerguer o que havia restado da enchente do último dia 18, que buscaram recomeçar do zero, passando o dia tentando remover a lama existente no local. Foram dias de guerra vividos pelos moradores da cidade, que parecem estar de volta.

Como a água do rio Una seguia com uma força relativamente forte, levando tudo o que havia pela frente, os boatos que circulavam pela cidade era de que a comporta da Barragem do Prata, em Bonito, havia sido aberta.
A informação desesperava as pessoas da cidade que corriam para as partes altas de Palmares. Em qualquer lugar, a ideia de que as águas iriam encher ainda mais eram pensamentos fixos para os moradores. Segundo a assessoria de Imprensa da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) a informação não procede. No entanto, a companhia confirmou que a barragem estaria “sangrando”, ou seja, com transbordamento de água. Quando isso acontece, o líquido é direcionado para um rio próximo e o rio Una é um dos afluentes dessa barragem.

Para ver como estava a residência da mãe, a dona de casa Vilma Maria de Oliveira Moraes, de 51 anos, acabou ilhada na rua Frei Caneca, uma das principais vias de acesso do Centro da cidade. “Estava aqui a semana inteira, limpando o chão e as paredes que estavam cobertas de lama. Quando vi, a água estava entrando na casa, novamente”, disse.
Apesar de não estar com a saída impedida, para chegar até o local é preciso molhar as pernas até o joelho com uma água misturada com os entulhos que estavam pela cidade.

E o desespero é comum entre aqueles que perderam tudo pela segunda vez. Parado em frente à rodoviária da cidade, de onde era possível ver quase todas as ruas do centro inundadas, o comerciante Geraldo Filho, de 32 anos, se sentia perdido. “Eu e minha família ficamos a semana passada inteira limpando tudo o que tinha de lama e limpando alguns móveis que haviam restado da primeira enchente, agora, não sei o que fazer”, disse.
Olhando para a água que tomava conta do Centro, a vendedora Roberta Maria Alves, de 29 anos, mal conseguia conter o nervosismo. Com as mãos trêmulas, disse estar sem perspectiva de vida. “A nossa situação é muito complicada. A gente tinha esperança de recomeçar, mas desse jeito fica difícil.
Primeiro, perdemos quase tudo. Agora, o que havia restado, a água deve ter levado”, afirma. Ela, que agora vive de favor na casa do irmão Rogério dos Santos, conta que não tem mais nada. “Não tenho nem noção do que fazer daqui pra frente”, disse. Na residência, viviam ela, os dois filhos e uma outra irmã.

(Folha de Pernambuco).