Ceclin
set 28, 2009 0 Comentário


Em 2010, partidos serão maiores do que os candidatos

Publicado em 27.09.2009

Pela primeira vez na pós-redemocratização, os candidatos a presidente não serão maiores do que as suas legendas, como acontece desde 1989

João Domingos
Agência Estado

BRASÍLIA – A eleição presidencial de 2010 terá pelo menos duas novidades na fase pós-redemocratização. Pela primeira vez, Luiz Inácio Lula da Silva não será candidato a presidente e, também fato inédito, nenhum dos pretendentes a chefe do Executivo será maior do que o partido, característica que marcou todos os pleitos desde 1989.

Na eleição em que se elegeu (1989), Fernando Collor era maior que o nanico PRN, que ele mesmo fundou e nunca prosperou. Lula, que disputou com Collor, já era maior do que o PT. Ulysses Guimarães, que esteve à frente do PMDB por 23 anos, também era um nome que não dependia da força da legenda – acabou obtendo votação decepcionante, não só porque seus aliados bandearam-se para Collor, mas porque os eleitores o abandonaram. Em 1994, Fernando Henrique Cardoso apareceu como herdeiro de Itamar Franco e do Plano Real. Era maior do que o PSDB, fundado seis anos antes. Reeleito em 1998, FHC pôde apresentar a bandeira da estabilidade econômica e da inflação sob controle.

Já em 2002, Lula se elegeu na quarta tentativa. Pôde apresentar um nome muito maior do que o PT. E, em 2006, enquanto os petistas afundavam no escândalo do mensalão, Lula tirava proveito do fato de não ter deixado a crise colar em seu nome.

Candidata imposta por Lula, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, vai para a campanha com dois problemas: não construiu sua candidatura a partir de si mesma nem pela força no partido. Lula fez esse trabalho para ela. E ela é bem menor que o PT, ao qual aderiu após uma temporada no PDT.

No Palácio do Planalto, a orientação é para que Dilma apareça mais e use as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para se tornar conhecida. De acordo com um auxiliar de Lula, ela deve mostrar sempre que “pertence a um governo vitorioso, que não só vai continuar a administração de Lula como fará mais para a área social, educação, saúde, segurança”.

No PSDB, o presidente do partido, senador Sérgio Guerra (PE), acha que uma forma de os governadores José Serra, de São Paulo, e Aécio Neves, de Minas, os dois pré-candidatos do partido à Presidência, aparecerem bem para a população é colar no partido. “O PSDB tem o que mostrar. Então, vamos mostrar o que aconteceu no governo FHC e o que está acontecendo em nossos governos, tanto em São Paulo quanto em Minas. É o segredo para ter um bom desempenho na eleição e vencer. ”

No caso de Ciro Gomes, pré-candidato do PSB, a intenção dos articuladores é dizer que ele foi ministro de Lula e sempre o apoiou em todos os momentos do governo. Ou seja: Ciro sabe que, para ter condição de disputar a eleição com chance de vencer, não pode ficar só fazendo pregação de difícil compreensão para o eleitor, pois o importante é fazer-se próximo de Lula.
Das candidaturas expostas, a mais identificada com a causa que defende é Marina Silva, do PV. Para o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), ela tem condição de buscar o “voto do sonho”, do eleitor desapontado com candidatos e governos, além de conquistar a juventude.
(Jornal do Commercio).