• Ceclin
set 12, 2008 2 Comentários


Eleições, Cores, Números e Músicas

Com a aproximação do período eleitoral, algumas cores e números ganham significados diferentes do usual. Um adágio popular diz “o que seria do azul, se todos gostassem do amarelo”.
Uma cor que aqui representa um número, noutra cidade pode representar outro número, um outro partido até.
Agora entra nesse cenário de maneira fortíssima, as músicas, elas procuram vender seu peixe de diversas formas: alguns recorrem ao saudosismo, outros ao sadismo, mas sempre a temática predominante é provocar os adversários, enganar o povo e induzí-lo a repetir chavões sem sentido, sem nexo, desprovidos de um mínimo de inteligência e patriotismo.
Muitos, a perfeita maioria desses políticos, desconhecem integralmente o conteúdo registrado de Estatutos do partido a que estão vinculados, jamais abordam esse tema em suas músicas em seus discursos ou usam em seus mandatos, conseguidos através de votos dos incautos.
Essas músicas escondem os números que dão cor a fome, ao desemprego e a violência.
Que cor representaria a fome, a miséria o desemprego e a violência ?
Mentem quando se referem a educação a saúde e a honestidade. Distorcem as cores da verdade e turvam os números de desgoverno com que o povo é obrigado a conviver.
Esgoto a céu aberto, ruas com calçamento tipo sonrisal, a cada chuva dissolvem-se, escolas com a pintura da frente impecável e faltando condições básicas de funcionamento. Como banheiros destruídos, péssimo estado dos quadros de escrever em sala de aula etc. Merenda escolar à base de sardinha com cuscuz. Quando tem. Postos de saúde sem médico, enfermeira, gaze e esparadrapo.
A preocupação principal dos candidatos é impor de qualquer maneira, uma cor e um número, através de suas músicas de reconhecido mau gosto por meio de cantores que berram qualquer coisa por qualquer preço que lhes pagam. Não há idealismo, não há compromisso com eleitores, com a sua cidade.
Povo que depois não poderá cobrar, políticos que não devem nada a seu povo porque não houve compromisso, não houve programa de governo. Nem seus nomes próprios eles comprometem, basta um vulgo qualquer, e o povo aceita numa boa. Quem você vai eleger pra lhe representar perante a cidade: furão ? biu da ponte ? zeca da barraca? maria garrafa? Qual deles o mais honesto, o mais competente o que melhor representa você e sua cidade ?
Hoje o político deve ao povo “atrações” bandas de forró e de pagode. Algumas carreatas pelas ruas esburacadas, calçadas e coretos sujos que dão abrigo a crianças e mendigos, um fogetório e centenas de motos-táxi que recebem cachê para buzinar seguindo o cortejo. Isso induz atualmente na decisão de voto. Assim “vendem” seu voto.
De fora, dá para ver a alegria que o povão sente em ser enganado e iludido, e a cara de pau dos políticos acenando de forma vibrante a todos. Nesse período eles são povão.
O tempo passa!

Por falta de escolas e educação o povo não pensa, elege mal, não sabe cobrar de quem elegeu, se ilude com mentiras repetidas a exaustão tornando-as verdade verdadeira, desconhece o que foi dito pelo escritor Bertold Brecht:

Voto não tem Preço, tem Conseqüências!

O ANALFABETO POLÍTICO
“O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nascem a prostituta, o menor abandonado, o assaltante, e o pior de todos os bandidos, o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais”.
(autor: Bertold Brecht, escritor, viveu de 1898 a 1956 na Alemanha.)

por Valdemiro Cruz,
leitor articulista.