Ceclin
ago 03, 2010 2 Comentários


Educação de Jovens e Adultos foi tema de debate na Tabocas FM

O Projeto Mova Brasil inspirado no Programa de Alfabetização de Jovens e Adultos – o MOVA – do educador Paulo Freire, segue o caminho para além das letras e números. Desenvolvidos através de parceria entre a Petrobras, Federação Única dos Petroleiros (FUP) e o Instituto Paulo Freire, tem como finalidade promover a dignidade humana garantindo aos indivíduos e as comunidades a garantia de construir o seu destino de conquistarem o direito a cidadania plena e participativa.

Para inteirar a população Vitoriense sobre este projeto que também é realizado em Vitória de Santo Antão convidamos Rosa Félix, coordenadora do projeto no Município, Vanda Santos, Monitora do Programa Mova Brasil e o advogado Aristides Félix Júnior, articulador do Projeto em Vitória de Santo Antão.
Os quais vieram aos estúdios da Rádio Tabocas FM (98,5) e falaram no Programa A VOZ DA VITÓRIA sobre o desenvolvimento do Programa.

Acompanhe os pontos principais da Mesa Redonda:

Sobre o Programa

Segundo Aristides Félix, esse projeto é fundamental por se tratar de uma educação alternativa dirigida para a alfabetização de jovens e adultos.
“Países como a China, Japão e tantos outros que se acabaram nas guerras e hoje são grandes potenciais foi porque os governantes investiram maciçamente em educação”, pontuou.

“Essa equipe do Mova que está motivada e mobilizada juntamente todos os educandos e coordenadores e todas as pessoas que estão à frente de Pernambuco nesse Mova Brasil que é uma revolução no País organizado em pelo menos 10 Estados, sendo muito bom que esteja acontecendo em Vitória”, ressaltou Aristides.

Metas a alcançar

Aristides informou que em 2008 foi definida uma meta para alfabetizar e formar 4800 turmas até 2011, cada turma tem em média 25 alunos mostrando a dimensão do programa e a preocupação do governo em alfabetizar jovens e adultos que estão fora da faixa de alfabetização normal.

“Nós sabemos que se as pessoas que não sabem ler e escrever e não sabem interpretar aquilo que está no cotidiano fica muito difícil arrumar um emprego”, salientou.
O advogado informou que em visita recente ao núcleo do Engenho Cachoeirinha que é composto basicamente de trabalhadores rurais e de pessoas que estão desempregadas foi notada a vontade enorme de aprender a ler e escrever de todos.

Aristides também disse que os moradores já estão entendendo e identificando outras necessidades como a falta de telefones públicos, transporte público, qualificação de mão de obra para as usinas, alunos que desejam tirar habilitação para trabalhar como motorista.
“Tudo isso é um celeiro de coisas importantes que começam a acontecer devido ao interesse de um governo que começou a se preocupar com a educação diminuindo os níveis de analfabetismo”.

“Só sabe o que é saber ler e escrever quando você não sabe e passa, a saber, é outro mundo e uma nova descoberta, é como se você se tornasse uma nova pessoa”.

“Esse programa há muito tempo que eu queria trazer para Vitória, mas não era possível, após acompanhar o programa por cinco anos, consegui através da interseção do deputado Fernando Ferro, trazer o programa Mova Brasil. Eu queria ao menos um núcleo e conseguimos ser contemplado com quatro, inclusive o núcleo prisional que está instalado no presídio da cidade”, declarou o advogado.

O desenvolvimento do programa

A Coordenadora do programa Rosa Felix informou que Vitória de Santo Antão conta com quatro núcleos do programa Mova Brasil e que cada núcleo tem 15 turmas com 25 alunos, localizados nas comunidades de Redenção, Sítio Figueira, Engenho Cachoeirinha, Alto José Leal, Jardim São Pedro e um núcleo prisional no Presídio do Município.

“Fizemos o Projeto Político Pedagógico discutindo com a turma situações significativas para essas comunidades, ou seja, os problemas que vivem cada comunidade e causa situações desfavoráveis, foram levados os temas para serem abordados e os conteúdos, os quais as professoras trabalham a realidade do educando”, contaram.

Seguindo o exemplo de Paulo Freire na sua filosofia de vida de lutar para que essas comunidades vejam novos horizontes que não conseguem ver só com as letras e sim estudando para viver a vida diária, é justamente aí que a gente pode dar uma perspectiva para que essas pessoas, a partir do Programa Mova Brasil vejam novos horizontes e tenham mais alternativas e dêem continuidade aos seus estudos.
“Trabalhamos com temas geradores e do tema principal tiramos sub-temas onde é debatido em sala de aula com os alunos, exemplo: família, violência, desemprego e outras situações do cotidiano das comunidades. E por isso que eles se motivam e comparecem as aulas”, defenderam.

Rosa informou que estão enfrentando problemas de evasão em função dos trabalhos temporários que acontecem no segundo semestre, então eles entram em imobilidade e depois retornam para sala de aula devido à questão de sobrevivência e que isso está previsto no programa.

Interação com os alunos

Segundo Vanda que monitora do Mova Brasil, todos os alunos recebem o material didático necessário para um bom rendimento curricular. Quanto a remuneração o Mova também assina a carteira e paga uma remuneração justa a todas as pessoas que trabalham no projeto. Quanto as parcerias, a mesma exemplificou a Prefeitura Municipal que cede às salas de aulas, empresas que enviam cestas básicas para os alunos, a Fundação Altino Ventura que está se programando para fazer exames nos alunos que tem deficiência visual que atrapalha muito o aprendizado e outros.

“Cada vez que entramos na sala de aula é como se fosse uma experiência nova, pois os alunos depositam suas esperanças em nós monitores, pois não só trabalho a parte didática com os alunos. Todo o dia a dia da sociedade, vendo os pontos negativos e debatendo para ver o que se pode fazer para melhorar as condições de vida, o aluno se torna atuante em sua própria comunidade,” pontuou.

“A diferença básica é a metodologia aplicada, esses programas antigos, a preocupação deles era exclusivamente fazer com que o aluno aprendesse a ler e escrever o Mova, além de alfabetizar e preparar o aluno para fazer parte da sociedade questionando e propondo políticas públicas, fazendo com que o aluno se transforme em um agente de transformação”, completou.

“O que a gente percebe nesses meses do projeto foi uma nítida mudança nas pessoas que estão fazendo parte do projeto Mova Brasil, pessoas que estão deixando o hábito de ver TV e indo para as salas de aulas, pessoas que já estão percebendo as dificuldades de sua comunidade e procuram solução. Em fim, os alunos estão sendo cidadãos participativos em sua comunidade”.

Apresentação: Lissandro Nascimento.
Produção: Jáder Siqueira, Orlando Leite.
Equipe: Emerson Lima, Berg Araújo, Genilda Alves.