Ceclin
abr 10, 2013 1 Comentário


Dose dupla

Por Hely Ferreira

Os últimos suspiros do regime militar em nosso País, fez com que o pleito eleitoral de 1982 ocorresse de maneira unificada, onde o eleitor votava de vereador a governador, excetuando as capitais onde os prefeitos eram escolhidos de forma indireta. De lá para cá, o modelo não mais se repetiu, já que a experiência não foi das melhores.

Recentemente, surgiu na Câmara Federal um projeto que tenta reeditar as eleições unificadas, alegando o autor que teria um custo menor e provocaria no eleitor uma maior identificação com os partidos políticos. Ora, não precisa viver antenado com o dia a dia da política nacional, para saber que a maioria dos eleitores votam na pessoa, e não no partido.

Atribuir que unificando o pleito eleitoral traria uma redução dos gastos públicos, nada mais é que um sofisma, pois o que acarreta o gasto descontrolado, em grande parte são os desmandos administrativos, onde parte dele está atrelado a um velho entendimento de que ninguém será punido. Em qualquer democracia, a prática do voto é algo salutar, e quanto mais exercitá-lo, melhor será. Mas, a quem interessa a aprovação do projeto?

Certamente, a aqueles que vivem da falta de consciência política da maioria dos eleitores.

Imaginemos um eleitor que tem dificuldade em utilizar a urna eletrônica. Quanto tempo gastará para terminar de votar em todos os seus candidatos? Provavelmente, gastará um tempo semelhante ao que se gasta nos engarrafamentos da Avenida Caxangá.

Perdão! Será solucionado antes da Copa do Mundo. Até lá…

 

Por Hely Ferreira

Cientista político.