Ceclin
nov 29, 2008 15 Comentários


"Dólar deixou de ser moeda hegemônica", diz economista

Debate: Célio e Marcus interagem para falar do assunto do momento.
Em debate sobre a “Crise Econômica mundial” na Mesa Redonda do Programa A VOZ DA VITORIA, pela Rádio Tabocas FM (98,5) – no início da tarde desta sexta-feira (28), o economista Célio Brasileiro e o Professor de História Marcus Vinícius, sob a mediação de Lissandro Nascimento abordaram as variáveis estruturais e aspectos históricos que influenciaram a atual decadência do sistema financeiro internacional, que já sinaliza o comprometimento do orçamento de cada cidadão brasileiro.
Disciplinado em atender as principais dúvidas relativas a problemática, o Prof. Marcus Vinícius fez um relato histórico sucinto desde a Crise de 1929 e suas variantes para a atualidade, a política do Café com Leite no período, o surgimento das dívidas externas brasileiras; bem como os principais ciclos do sistema capitalista no mundo.

Destacou as nuances da I e II Guerras mundiais, a Revolução Industrial no mundo e no País, a crise da Bolsa de Valores de 1981, ainda o milagre econômico brasileiro, a consolidação do Real; as condições políticas e históricas que levaram a crise na Bolsa de Valores de New York e o efeito dominó no mundo e suas variantes do desemprego estrutural no planeta.

Para o economista Célio Brasileiro, esta Crise já era esperada pois vem se acumulando desde as condições plantadas pelos serviços de Seguros norte-americanos e a bolha do seu mercado imobiliário. Isso intensificou em virtude da implementação da política adotada pelo Estado mínimo, bancada pelo neoliberalismo, que adotou uma economia de circulação de dinheiro virtual em detrimento da circulação real na cadeia produtiva, intensificadas, deste modo, pelo processo inevitável da globalização.

“É preciso destacar que houve uma descentralização do Estado em alguns setores, que promoveu as Agências Reguladoras, e tem buscado uma postura de fortalecimento do sistema bancário paralelo as prioridades estruturais de sua produção interna”, pontuou o economista.

Citando uma das ações governamentais ligadas à essa orientação aqui em Pernambuco ele lembrou que a venda do Bandepe pertencente ao Estado, foi acelerado pelo seu endividamento promovido pelos Usineiros pernambucanos. “Diante deste fato o Estado de Pernambuco herdou uma dívida que pagamos ainda hoje. Ou seja, 11% da dívida pernambucana foi realizada pelos Usineiros”, lamentou Célio Brasileiro.

Ele citou que o Governo Lula tem gerenciado bem a sua intervenção em impedir maiores impactos desta crise aqui no Brasil. “O governo do Presidente Lula está em melhores condições hoje de enfrentamento porque priorizou as condições estruturais do País e procurou reacender os seus investimentos. Ele foi inteligente em aproveitar e continuar algumas bases econômicas sistêmicas iniciadas por FHC”, destacou Brasileiro.

Questionado se esta crise financeira é agravada pela “espetacularização” da mídia, que toma uma atitude exagerada em abordá-la, do qual alguns economistas brasileiros consideram que em Março de 2009 esta seja atenuada, ele reforçou: “É preciso trabalhar o otimismo do consumidor, até para fazer a cadeia produtiva circular ativamente. É claro que deva existir uma orientação de cautela e não alarmismo”. Completando: “Esta crise vai possibilitar uma nova ordem econômica. Esta parceria comercial bilateral entre a China e os EUA foi lesiva aos outros países. Já se configura como fato que hoje a moeda dólar deixou de ser hegemônica”, ressaltou Célio Brasileiro.
Respondendo a algumas perguntas dos ouvintes que tinham dúvidas de como se comportar nas compras de Natal neste final de ano, bem como empregar o 13º salário e de qual a melhor maneira de efetuar as suas compras, ainda quais as iniciativas que os consumidores devem tomar para prevenir-se, o economista forneceu dicas interessantes.

Foi lembrado que o comércio da Vitória de Sto. Antão necessita de um planejamento estratégico: “Quem deveria tomar o gerenciamento de uma política pública de fortalecimento do nosso centro comercial era o poder público, que não fez, diga-se de passagem. Agora será necessário que esta atitude seja tomada pelo novo prefeito eleito. Não podemos esquecer que somos um pólo regional de comércio importante, ao qual precisamos nos ater em cumprir o papel de vanguarda que temos na Zona da Mata Sul do Estado”, defendeu.
Apresentação: Lissandro Nascimento.
Produção: Jáder Siqueira.
Técnica: Felipe França.
Equipe: Gilberto Júnior, Genilda Alves, Orlando Leite, Berg Araújo, Régis Souza.
Colaboração especial: Ednaldo Ribeiro e Severino Neves.