Ceclin
Maio 14, 2009 0 Comentário


Docente luta para manter férias

Publicado em 14.05.2009

Professores das escolas particulares não estão dispostos a diminuir as férias de julho por causa da antecipação do vestibular das federais (UFPE, UFRPE e Univasf), que usarão o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no processo seletivo. Os donos de colégios argumentam que o período de descanso tem que ser reduzido para que os assuntos do 3º ano do ensino médio sejam ministrados até a data do exame, previsto para o início de outubro.

A categoria discorda e promete lutar contra a implementação do novo calendário. Hoje, às 9h, realiza assembleia na sede do Sindicato dos Professores de Pernambuco (Sinpro), na Boa Vista, no Recife, para discutir esse e outros pontos da campanha salarial.

Não está descartada a possibilidade de a categoria votar a decretação do estado de greve. “Houve uma rodada de negociação segunda-feira com os donos de escolas. Reafirmamos que não vamos abrir mão de um direito que é garantido, há muitos anos, na convenção coletiva”, afirma o diretor de comunicação do Sinpro, Gabriel Pimenta. Segundo ele, o patronato colocou como condição para negociar o restante da pauta de reivindicações a aceitação dos docentes no item que trata da mudança das férias.

A convenção coletiva dos docentes, acordada todos os anos com os donos de escolas, determina que as férias são em julho (30 dias). Em janeiro, há um recesso de 20 dias. Nos outros 10 dias do início do ano pode ocorrer planejamento pedagógico ou outras atividades. As escolas querem inverter isso, como acontece atualmente com os professores das redes estaduais e municipais.
“Não serão 15 dias que vão fazer diferença na preparação dos alunos. O Enem é interdisciplinar e exige raciocínio lógico, aspectos que devem fazer parte desde o início do ensino médio. O sindicato patronal quer alterar nossas férias para janeiro e colocou a questão do Enem como justificativa”, observa Gabriel. Haverá assembleia simultaneamente hoje em Caruaru (Agreste), Petrolina, Serra Talhada e Araripina (Sertão).

Um dos diretores do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino de Pernambuco (Sinepe) Arnaldo Mendonça, do Colégio Atual, demonstra preocupação com o calendário escolar. “Temos que cumprir 200 dias letivos, como exige a legislação. Este ano há muitos feriados. A antecipação da data do vestibular foi um agravante. Nossa proposta é que os professores entrem de recesso no São João e voltem às aulas no dia 13 de julho”, explica Arnaldo. Caso não haja entendimento, cada escola terá que chegar a um acordo com seu corpo docente para não deixar os feras tanto tempo sem aulas.
(Jornal do Commercio).